Como todo domingo de preguiça, as crianças e eu decidimos assistir um
filme.
Claro, a escolha é sempre deles; sou mera expectadora. E a animação da
vez foi Rango, um camaleão de estimação que entra em crise de identidade ao se
ver perdido numa cidade do velho oeste precisando mudar radicalmente seu estilo
de vida para viver um mundo real.
Confesso que estava no sofá apenas para fazer companhia aos meus
pequenos. Como já havíamos assistido aquela animação pelo menos umas 15 vezes, não
conseguia me concentrar e meus pensamentos voavam perdidos. Foi então que ouvi a
conversa das crianças:
“Você viu, Becca? Eles estão brigando por causa de água!” – comentou o Gabriel com ar de preocupação.
“Xiiiiii, tá igualzinho nossa cidade!” - a expressão na voz da Rebecca
era de aflição.
“A diferença é que aqui não é deserto. Lá a gente até entende não ter
água, mas aqui não dá, né?” completou ele.
“Acho melhor todo mundo começar a orar pra Deusu pedindo pra chover
senão a gente vai morrer de sede. A gente tá sem água desde ontem. A gente tá é
lascado!”
“Eu vou começar a pedir chuva na oração de hoje, sem falta. Não adianta
só ficar falando: Olha o planeta, olha o planeta! Tem que orar. E muito!”
Nunca imaginei que a crise hídrica de São Paulo fosse preocupar meus
filhos. Estávamos sem água desde a madrugada de sábado e só retornou na noite
de segunda feira.
A que ponto chegamos, não? O que era assunto de adulto já está se
transformando em preocupação de criança.
E nós, adultos, pensamos que os pequenos não estão prestando atenção. Pelo
contrário, estão alertas, atentos e, sobretudo, muito mais conscientes.
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