quarta-feira, 9 de maio de 2012

SEMANA DAS MÃES


Tem como não ser babona???












Um pequeno presentinho por dia...






Chá das Mães... bem no aniversário da minha pequena...


E pensar que semana passada ela falava do dedinho que falta... e a professora trabalhou exatamente a mãozinha que não tem um dedo. É isso aí... tenho ABSOLUTA CERTEZA que minha pequena vai driblar essa "diferença" brincando...


AMO DEMAIS MEUS FILHOTES!!!

LUVAS SEM DEDOS


Com a exata diferença de 30 minutos que eu me diverti ouvindo o Gabriel reclamar que estava muito agasalhado, fiquei com o coração apertado e deixei que as lágrimas escorressem pela minha face...

Eu já havia colocado a luva na mãozinha direita da Becca e enquanto colocava a da esquerda ela olhava fixamente a outra mãozinha com um grande ar de dúvida e desaprovação:

- Oh, mãe... poi que eu não tenho esse dedo??? Quando é que ele vai nascer?
- Becca, a mamãe já te explicou que ele não vai nascer...
- Não, mamãe???
- Não, querida.
- Então "coita" essa parte da "liuva" "poique" ela veio com um dedo a mais. E eu não quero usar essa "liuva" assim.
- Não precisa, Becca. -meus olhos estavam marejados.
- Então essa "liuva" não é minha. Eu não quero ela. A minha "liuva" só precisa de 4 dedos...
Não tive o que responder... puxei-a para um braço apertado e chorei como se faltasse um pedaço de mim mesma...
- Tá bom, filha. A mamãe vai arrumar, tá bom?"
E continuei chorando...
Ah, como eu queria poder tirar um dos meus dedos para presenteá-la...
Mas, no momento, a única coisa que está ao meu alcance é comprar luvas sem dedos...


quinta-feira, 5 de abril de 2012

DESABAFO DE UMA MÃE ADOTADA

Ai, ai... não adianta quantas vezes terei que repetir: virei mãe... não virei SANTA!!! 

Continuo amando sexo e cerveja... continuo ouvindo rock n' roll no último volume... ainda amo baladas e noites regadas a vinho e longas conversas de bêbados...amo fletar e beijo na boca... ainda sinto arrepios quando alguém me faz carinhos... me excito constantemente... tenho pensamentos imundos como qualquer outros ser... solto palavrões quando fico nervosa ou quando me faltam com o respeito... eu ainda sinto medo de muitas coisas que nem sei explicar... ainda me tranco no quarto e choro sem ter motivos... ainda sinto um outro tipo de solidão... continuo com a mesma velha baixa estima... e admito que sempre tenho muita coisa a melhorar!


SER MÃE não me faz ser melhor nem especial, apenas, mais uma vez, diferente, como sempre fui!

SER MÃE não me impede de ser eu mesma e AMAR meus filhos MUITO MAIS do que eu mesma!

Compreendem???




segunda-feira, 26 de março de 2012

CONFISSÕES DE SAUDADE


Hoje, enquanto eu preparava o leite com chocolate para minha pequena, notei que estava quietinha, Pensativa e com olhar distante. O Gabriel se comportar assim, até compreendo, visto que ele é mais introspectivo, mas dona Rebecca, a bagunça em pessoa que acorda 6hs da manhã me provocando e desafiando a cantar "Có có ri có qué cocoricá lá no Japão" ficar inerte sem motivo não é comum!
Aproximei-me da mesa e perguntei:
"O que foi, Becca?"
Os olhinhos marejados me fitaram:
"Mamãe, cadê o Zé?"
O Zé, ou José Roberto Siqueira, é um amigo que acompanhou todo o processo de adoção.
"Eu gosto do Zé! Eu tô com saudade do Zé, mamãe!"
Bom, a melhor maneira de ganhar confiança com uma criança é sempre, por mais dura que seja, lidar com a verdade. SEMPRE.
"Filha, o Zé tá namorando. E como ele trabalha e namora, fica sem tempo para nós."
"Mas eu gosto do Zé!"
"Eu sei, filha. Mas o Zé agora vai visitar a namorada dele quando não está trabalhando."
Ela torceu o bico e fechou a cara.
"Então por que você não me leva na casa dele?"
Senhor!!! Parece que quanto mais a gente explica, mais dúvida surge!!!
"Ora, Becca. A namorada dele não vai gostar..."
"Mas, por que, mamãe, se o Zé é meu amigo?"
"Becca, a mamãe não sabe. A fase do Zé passear com a gente, vir aqui já acabou. Agora ele tem que trabalhar, cuidar da namorada dele, ir na casa dela, passear com ela... não sobra mais tempo pra gente. Você tem que entender!"
"Ah, eu gosto do Zé! Ele que me deu a boneca "peta", o escorregador de cachorrinho, os móveis das "pincesas"... e o Zé me pega no colo e "binca" comigo. O Zé me levava no "abigo". Eu já fui na casa do Zé. O Zé me deu aquelas "futas pequeninha e peta". O Zé é tão legal."
" A mamãe sabe que ele é legal, Becca. Mas a namorada dele vai ficar muito brava com ele e com a mamãe. Não pense mais nisso."
Ela trocou o semblante bravo de lado e deixou uma expressão facial de profunda decepção. E eu nada pude fazer.
Por que, nós, adultos, dotados de "experiência" e "sapiência" somos assim, tão volúveis? Por que damos prioridade para uma um determinado momento e tão rápido esquecemos que ele passou e acabamos por suprí-lo por algo novo?
Não, não estou atirando pedras, afinal de contas, tenho um teto de vidro, de cristal, na verdade.
Só quero mesmo compartilhar o quão maravilhoso é uma criança em nossas vidas. Elas mudam tudo, nos mudam, nos moldam, nos ensinam, nos fazer enxergar o que definitivamente tem valor: o amor, a amizade e o carinho. O resto... bem, o resto é resto...
E como mãe, agora noto como é cruel decepcionar uma criança.
Não faça isso jamais, não permita que isso ocorra!

Elaine Santos de Andrade

quarta-feira, 7 de março de 2012

RESPOSTAS DO CORAÇÃO


Numa dessas manhãs, enquanto eu arrumava meu pequeno Gabriel para mais um dia de escolinha, fui surpreendida com uma pergunta bombástica (para mim):
“Mamãe, você disse que eu e a Becca não saímos da sua barriga, não é?”
“Sim, filhote. Isso mesmo.”
“E você também falou que não conhece a mulher que eu saí da barriga, não é?”
“Isso mesmo, filhote. A mamãe não conhece ela.”
Então ele me encarou com os olhinhos cheios d´água e avermelhados:
“E por que você colocou a gente na barriga de uma mulher que você nem conhecia? E se essa mulher não devolve a gente pra você como é que a gente ia ficar? Eu e a Bebecca ficaríamos sem mamãe?”
E agora? O que eu respondo? Pensa rápido, Elaine, pensa rápido!!!
“E se ela foge? E se ela não dá a gente pra você, mamãe? Como ia ser, hein? Quer dizer que hoje não teríamos mamãe???”
Meu coração virava pedacinhos pouco a pouco e eu não conseguia pensar em nada; nenhuma palavra vinha a minha boca; nenhum pensamento passava pela minha cabeça. Fui pega mais do que de surpresa... mas eu tinha que responder... ele precisava ouvir algo para não chorar... ele precisava que eu dissesse alguma coisa para confortá-lo.
Não vou negar. Caí em pranto. Não me perguntem o porquê, mas eu me desmanchei em lágrimas. Senti até me faltar o ar. Senti uma tristeza tão grande porque eu não poderia explicar que era tudo exatamente ao contrário.  A irresponsável não era eu. Eu JAMAIS iria abandoná-los. Eu os seguiria até o fim do mundo. Eu daria minha vida por eles.
“Mamãe...” – ele esperava uma resposta.
Entre lágrimas colocou minha mãe sobre o peito dele.
“Por que você tá chorando?” – e ele esvaiu-se em lágrimas.
“Filhote... “– perdi a voz.
Então fechei meus olhos e procurei uma maneira de ouvir o meu coração. E fui repetindo o que eu ouvia:
“Quem escolheu essa mulher pra emprestar a barriga não foi a mamãe. Quem escolheu foi Papai do Céu. E não importa o que acontecesse, Papai do Céu traria você e a Becca para mim. Tem coisas que a gente não entende. Tem coisas que a mamãe não sabe. Não fique pensando como você e sua irmãzinha vieram parar aqui comigo... só pense que agora estamos juntos. O que importa é que estamos juntos. A mamãe nunca viu a barriga da mulher de onde você nasceu, mas tenha certeza: a mamãe já te amava antes de te conhecer. A mamãe já te amava porque Papai do Céu já tinha me escolhido, bem antes de você parar na barriga dela, para ser sua mamãe. E Papai do Céu já tinha escolhido você e a Rebecca para serem meus filhos . E é isso que importa. Acontecesse o que acontecesse, Papai do Céu faria com que ficássemos juntos. E jamais, jamais, jamais a gente vai se separar. Eu prometo!”
Ele limpou as lágrimas e me deu um abraço muito mais forte do que me dera em  qualquer outra vez.
“Tá bom, mamãe. Eu te amo pra sempre.”
Agora deixo a imaginação de vocês livre para descrever o que senti essa hora... porque eu mesma sou incapaz de descrever...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

CICATRIZES

Essa história foi indicada pela minha cara amiga Tosca Guglielmi e, infelizmente, o autor é Desconhecido.


Como mãe de uma menina que, bravamente, sobreviveu a um acidente com fogo, sinto-me praticamente na obrigação de compartilhar.
Claro, são casos diferentes mas espero que um dia meus pequenos Gabriel e Rebecca entendam que suas cicatrizes também são cicatrizes de amor porque se o fato em si não tivesse acontecido, jamais teríamos a chance de nos conhecermos.
Continuo a cada dia que passa mais confiante que nada, absolutamente nada, acontece em nossas vidas por um mero acaso. 


Vamos à leitura...

Um menino tinha uma cicatriz no rosto,... as pessoas do colégio não falavam com ele nem sentavam ao seu lado, na realidade quando os colegas do colégio o viam franziam a testa devido a cicatriz ser muito feia… Então a turma se reuniu com o professor e foi sugerido que aquele menino da cicatriz não frequentasse mais o colégio, o professor levou o caso à diretoria do colégio. 

A diretoria ouviu e chegou a seguinte conclusão: Que não poderia tirar o menino do colégio e que conversaria com o menino pra que ele fosse o ultimo a estrar em sala de aula e o primeiro a sair, desse forma nenhum aluno via o rosto do menino, a não ser que olhassem pra trás.

O professor achou magnifica a ideia da diretoria, sabia que os alunos não olhariam mais pra trás. Levado ao conhecimento do menino da decisão ele prontamente aceitou a imposição do colégio, mas com uma condição: que ele compareceria na frente de todos os colegas do colégio, para dizer o porque daquela CICATRIZ. 

A turma concordou e no dia seguinte o menino entrou e dirigiu-se a frente da sala de aula e começou a relatar: – Sabe turma, eu entendo vocês. Essa cicatriz é muito feia, mas foi assim que eu a adquiri:- Minha mãe era muito pobre e pra ajudar na alimentação da casa ela passava roupa pra fora… eu tinha por volta de 7 ou 8 anos de idade…(A turma tava em silencio atenta a tudo…) o menino continuou: – Além de mim, tinha mais 3 irmãozinhos um de 4 anos, outro de 2 anos e uma irmãzinha de apenas alguns dias de vida..(SILENCIO TOTAL NA SALA). 

Foi aí que não sei como a nossa casa que era simples e toda de madeira começou a pegar fogo.. minha mãe correu ate o quarto em que estávamos, pegou meu irmão de 4 anos o de 2 anos e eu pelo braço e nos levou pra fora, havia muita fumaça, as paredes que eram de madeira pegavam fogo e estavam muito quentes… minha mãe colocou-me sentado no chão do lado de fora e pediu que eu ficasse ali ate ela voltar, pois minha mãe tinha que voltar a casa e pear a minha irmãzinha que ainda ficara no quarto em chamas.. só que quando minha mãe tentou entrar na casa em chamas as pessoas que estavam ali não deixaram minha mãe pegar minha irmãzinha e via minha mãe gritar: “minha filha esta la dentro”! 

Vi no rosto da minha mãe o desespero, o horror e ela gritava, mas aquelas pessoas não deixavam minha mãe buscar minha irmãzinha. Foi aí que decidi: Deixei meus irmãos e disse-lhes que não saísse de la ate eu voltar, sai entre as pessoas e sem que eles percebessem eu entrei na casa… Havia muita fumaça, estava tudo muito quente,mas eu tinha que pegar minha irmãzinha. Eu sabia o quarto em que ela estava. Quando cheguei ao quarto la estava ela enrolada num lençol e chorava muito. 

Nesse momento vi alguma coisa caindo e então me joguei sobre ela pra protege-la e aquela coisa quente tocou no meu rosto. (a turma estava quieta, atenta ao menino e envergonhada) então o menino continuou: Vocês podem ate achar essa CICATRIZ feia, mas tem alguém la em casa que a acha linda e todos os dias quando eu chego, ela minha irmãzinha a beija porque sabe que a marca do AMOR.

Pra você que leu essa historia ate o fim, queria dizer que o mundo esta cheio de cicatrizes. Não falo da cicatriz visível, mas das cicatrizes que não se veem, estamos sempre prontos a abrir cicatrizes nas pessoas, seja com palavras ou ações.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

BOBA SOU EU!!!

Aproveitei o carnaval para passar o tempo todo junto aos meus filhotes.
Além de paparicá-los, claro, procurei me fazer presente em todas as atividades e brincadeiras que eles inventavam. Mas como a vida não é só diversão, também aproveitei para aparar arestas e ressaltar as regras da nossa convivência para que ela permaneça sempre em harmonia. E também foi o momento de cobranças saudáveis e de estimular passos novos para o crescimento individual.

Aproveitando que a adaptação da Rebecca na escolinha tem sido um sucesso, conversamos sobre coisas que ela desenvolve sozinha no período em que está lá porém torna-se totalmente dependente de nós quando está em casa.

Tudo começou quando ouvi:

"Mãããããããããããe, já fiz!!!"
Corri em sua direção e enquanto retirava em pedaço do papel higiênico, comentei:
"Becca, você tem que parar de usar o peniquinho. Você é uma mocinha!"
Ela fechou a cara e respondeu prontamente:
"Eu sei, mamãe... hum..."
"Sabe, mas tem preguiça, né? Por que na escolinha você faz tudo sozinha?"
Enquanto vestia a calcinha, eis que ela ficou vermelha... e não era de vergonha; o ódio consumia sua doce alma. E, só para variar, ela respondeu fria e caculadamente:
"Oras, eu não sou preguiçosa! Acontece que na escolinha o vaso é pequeno e esse daí é muito grandão. Como você quer que eu faça sozinha se eu não alcanço? Compra um pequeno igual da minha escolinha que eu faço sozinha, caramba!"

É... depois dessa quem ficou vermelha fui eu, mas de pura vergonha. A minha velha e tão conhecida cara de tacho ficou estampada.



Acho que preciso aprender uma coisa: antes de cobrar qualquer coisa da minha pequena, é obrigatório verificar TODAS as possibilidades... porque depois eu não posso reclamar quando ouvir o que não queria...

Crianças... seres iluminados e inteligentes por natureza. Bobos somos nós, adultos, que crescemos e deixamos de agir com naturalidade e podamos todos os nossos desejos, pensamentos e vontades...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

INÍCIO DE AULAS - PARTE I


Ontem foi o primeiro dia de aula da Rebecca.
Até que enfim!
Desde que anunciei que havia feito a matrícula na escolinha o assunto em casa não era outro. Dia e noite. Noite e dia.  Houve até uma noite em que ela acordou desesperada falando que estava atrasada.
Claro que a mamãe babona aqui ficou em pânico imaginando milhões de coisas. Era a primeira vez que a pequena Rebecca ficaria longe de mim, dos meus cuidados ou da avó. Como seria a reação dela dentro de um ambiente novo estando completamente sozinha? Encararia isso num boa ou encararia como mais uma batalha na vida? Seria dócil ou hostil? E como as outras crianças a tratariam? Como seria a reação das demais crianças em relação à ela? As crianças se comportariam como muitos dos adultos injustos e que atiram pedras se esquecendo que também tem teto de vidro? Seria ela vista como uma aberração? Seria motivo de chacota? Oh, Deus... tão pequena e já precisando encarar esse mundo podre e cruel... eita... olha eu querendo cobri-la com minhas asas, por mais quebradas que estejam... porém era preciso deixar de lado o papel de mãe coruja e tornar-me mamãe águia, que empurra seus filhotes do ninho para que aprendam a voar sozinhos...
E lá fui eu acompanhar minha pequena em seu primeiro dia de aula.
Rebecca ansiosa e eu apreensiva.
Rebecca com um sorriso nos lábios e eu com o coração partido.
(Como mãe é besta!!!)
Depois de ficarmos quase 40 minutos no ponto de ônibus, finalmente conseguimos entrar em um “menos vazio”. Depois que descemos, comecei a explicar como seria o dia:
“Já estamos chegamos na escolinha, Becca. Você sabe que ficará lá sozinha, né?”
Ela virou os olhos e a expressão da face me dizia subliminarmente: “Que saco!”
“Eu sei, mamãe.”
E meu discurso de conforto continuou:
“Você sabe que a mamãe vai trabalhar agora e que você voltará para casa de perua, né?
“Tá bom, mamãe!”
E mal o portão se abriu e ela entrou, puxando a mochila tão pesada quanto ela.
É isso mesmo... ela saiu sem nem olhar para mim e sem se despedir.
Eu, no desespero de mãe, entrei pelo portão, implorando:
“Filha, cadê o beijo e o abraço da mamãe?”
Eis que ela virou-se, fechou a cara e disse em tom forte e em advertência:
“Opa, volta, mamãe. Você não pode entrar aqui. Aqui é lugar de criança e adulto não entra. Entra sim, mas só as professoras. Eu beijo você lá fora.”
...
...
...
Como eu fiquei?
Oras, como vocês acham??? Sem graça, com cara de tacho e com as bochechas rosadas e quentes...
A professora que estava no portão caiu em gargalhada.
Minha vontade foi de sair, mas correndo dali, para esconder a vergonha.
Serenamente ela se aproximou, abraçou minha perna e me deu um beijo na face.
Novamente, me deu as costas como resposta e complementou:
“Bom trabalho, mamãe! Até de noite!”
E minha cara de tacho permaneceu enquanto ela arrastava a mochila e se dirigia à sala.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

AGRADECIMENTO


São tantas as maravilhas que a internet nos proporciona que hoje eu simplesmente não sobreviveria sem conexão. E foi pela internet e pelo grande poder das mídias sociais que recebi em 02/Jan/2012 uma mensagem via Facebook de uma destemida mulher, também mãe adotiva, Ana Paula Monteiro, que lê o meu blog. Segue a mensagem na íntegra:

"Olá, Nane!!! Estava lendo seu blog, e claro, chorando bastante. Me identifico muito com a sua história. Também me habilitei sozinha, a sentença saiu em maio e no fim de junho fui avisada que tinha uma criança disponível, sem saber o sexo, a idade, ou qualquer outra informação. No cadastro, apenas coloquei que fosse uma criança de até 12 meses. E, mesmo sem conhecê-la pessoalmente, tinha a certeza que era a minha filha. Entendo perfeitamente o que vc sentiu, pois foram as mesmas emoções confusas e maravilhosas que senti. No início é mesmo confuso, é um mix de emoções, a maior felicidade do mundo por ser mãe e um medo enorme por não saber fazer absolutamente nada, do banho à mamadeira, do arroto ao corte das unhas. Mas tudo vale a pena, não há arrependimento, só amor dentro de mim. Parabéns, minha querida, vc é uma pessoa iluminada!!! É um prazer enorme ler o seu blog e ter a certeza que como eu, vc é uma mãe que gerou os filhos dentro do coração. Obrigada por fazer o mundo melhor!!! Beijos grandes, em vc e nos seus lindos filhos."

Não posso negar que fiquei muito emocionada ao ler tudo que a Ana Paula descreveu. Quando escrevo para o Blog, tenho a sensação de que estou escrevendo para mim mesma. Recebendo este feedback é impossível querer disfarçar a alegria de saber que o trabalho de formiguinha que tenho feito realmente vale a pena, mesmo que apenas uma pessoa tenho lido (mas sei que tem mais pessoas), se identificado e o primordial:  saber que não sou a única que está cheia de dúvidas, dentro de um caldeirão de emoções e mesmo assim chega a abrir mão da própria vida, do próprio "eu" para receber um filho.

Já fiz a declaração em um outro post, mas quero ressaltar:

"Tornar-me mãe, mesmo que sem esperar, repentinamente, num estalar de dedos e num piscar de olhosnão me trouxe somente a infinita felicidade de ter o Gabriel e a Rebecca em meus braços; através da adoção encontrei pessoas maravilhosas com quem eu compartilho experiências e emoções."

Deixo aqui meu simples, mas profundo agradecimento à:


Alessandra Mirra
Alessandra Loureiro Guerra
Ana Paula Monteiro
Angela Ribeiro Lopes
Béatrice De Toledo Dupuy
Camila Lozano
Cláudio Alvarez
Dany Santos
Edna Aquino
Elaine Oszika
Elaine Pereira Mello
Fabiana Gomes
Fernanda Stela
Gisele De Paula Nascimento
Gláucia Ribeiro
Jhonatas Ávila
Jhonatas Batista
José Roberto Siqueira
Juliana Candido
Juliane Rocha Mianes
Karen Siqueira
Lilian Martins
Luana Theodoro Nunes
Luciene Nunes
Maira Jurisson Busso Silva
Márcia Valle
Marina Lopes Altahyde
Patricia Bertolino
Patricia Espada
Patricia Staudacher Pires
Pedro Marques
Priscila Kotzent
Raineli López
Rosemery Mts M
Sandra Leal
Sandra Regina Ferreira
Silvana de Oliveira
Sueli Regina Dias Moreira
Ris Man
Tereza Figueiredo Figueiredo
Tosca Guglielmi

Sem o apoio de vocês, este Blog jamais existiria!


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

CORTAR O TEMPO


Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias 
a que se deu o nome de ano, 
foi um indivíduo genial. 
Industrializou a esperança 
fazendo-o funcionar no limite da exaustão. 

Doze meses dão para qualquer ser humano 
se cansar e entregar os pontos. 

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez 
com outro número e outra vontade de acreditar 
que daqui para adiante vai ser diferente....
[Carlos Drummond de Andrade]

Essa é a minha promessa para os próximos anos!


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

5 ANOS DE BIEL

Hoje meu PEQUENO grande homenzinho faz 5 aninhos, mas a alegria é MINHA!!!
Biel, obrigada por fazer TODOS os meus dias valerem a pena, obrigada por me adotar, obrigada me permitir que eu seja a MÃE mais FELIZ do mundo!!!
TE AMO DEMAIS!!!





"O melhor lugar para se gerar um filho é no coração." [Elaine S. Andrade]

sábado, 17 de dezembro de 2011

SEGUNDO 17 de DEZEMBRO


Era 17 de Dezembro do ano de 2009. Eu acordava esperando por mais um dia como outro. Não imaginava por um dia marcante, inesquecível e que seria o marco de uma nova fase em minha vida. Existiria uma Elaine ANTES de 17/12/2009 e outra Elaine DEPOIS de 17/12/2009.
E hoje se fecha mais um ciclo. Ao mesmo tempo se inicia outro.
Quem acompanha o blog sabe como foi a rápida e inesperada mudança de "Elaine" para "Mãe".
São dois anos onde tudo mudou. São dois anos onde eu mudei; mudanças que talvez não sejam percebidas pelas outras pessoas, porém mudanças valiosas e gloriosas para mim. Jamais imaginei que eu pudesse me tornar um ser humano melhor; achava impossível. Tornar-me mãe, sem sombra nenhuma de dúvidas, foi o melhor e o maior acontecimento da minha vida e, olhando tanta coisa que aconteceu, mudou e inúmeras coisas que aprendi, lamento não ter me tornado MÃE antes. Noto agora que esperei muito tempo para ser ADOTADA.
Definitivamente não ADOTEI. Seguramente fui ADOTADA. Tanto o Gabriel quanto a Rebecca  me ensinaram coisas que eu desconhecia: amor, atenção, dedicação...Confesso que estou em débito com ambos, já que eles já transformaram minha vida em demasia sem nem ao menos saberem desta capacidade que tem em mãos. E eu? Puxa, não fiz nada do que programei e queria/quero, que devo, que posso e que eles merecem. Procuro ter paciência e fé, por enquanto só foram dois anos e eu sei que tenho e posso fazer muito mais.
Enfim, estou aqui para agradecer a torcida organizada, o apoio e a colaboração de um pequeno grupo de pessoas que NUNCA desistiram de mim.
Claro, venho também agradecer as críticas desnecessárias e desconstrutivas, as palavras cruas e nuas, ríspidas e grosseiras, a rejeição de um grupo enorme (e que só tende a crescer) que só apostou no contrário e que acreditou que JAMAIS eu conseguiria realizar um sonho ou que meu sonho era ignorante, tolo, estúpido ou medíocre.
Acima e tudo venho agradecer a DEUS por permitir que o primeiro grupo,  por menor que fosse, GANHASSE.
Gabriel e Rebecca, sem vocês na minha vida, agora nada teria ou faria sentido.
A melhor sensação é estar voltando para casa, depois de um longo dia cansativo e estressante, sabendo que há alguém que espera por mim, prestes a me dar um beijo e um abraço e dizer: 

"Mamãe, eu estava com saudade. Te amo!"



"O MELHOR LUGAR DO MUNDO PARA SE GERAR UM FILHO É NO CORAÇÃO."

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

EU NÃO O CONHECI

Faz um bom tempo que não escrevo aqui... estou com saudades de escrever e da interação com os meus seguidores/leitores... mas, estou num momento diferente da minha vida... não sei explicar como... talvez tenha me faltado inspiração ou de repente a escrita não tem conseguido revelar o que tenho vivido.
Enfim, deixo abaixo um texto maravilhoso de Oswaldo de França Jr. Lembro-me de tê-lo lido pela primeira vez em meados de 1992. Naquela época eu não entendia perfeitamente o sentido do que estava escrito nem tão pouco a mensagem verdadeira, o desejo de mudar o passado e a angústia do arrependimento.
O que eu poderia falar para vocês???


Não importa o que aconteça ou quão ocupado você é... não permita que seu filho vá embora sem conhecê-lo... de experiência própria, vocês não entendem o quanto fará diferença na vida dele quando se tornar adulto e precisar ir...




" Meu filho foi embora e eu não o conheci. Acostumei-me com ele e me esqueci de conhecê-lo. Agora que sua ausência me pesa, é que vejo como era necessário tê-lo conhecido.
Lembro-me dele. Lembro-me bem em poucas ocasiões.
Um dia, na sala, ele me puxou e a barra do paletó e me fez examinar seu pequeno dedo machucado. Foi um exame rápido.
Uma outra vez me pediu que lhe consertasse um brinquedo velho. Eu estava com pressa e não consertei. Mas lhe comprei um brinquedo novo.
Na noite seguinte, quando entrei em casa, ele estava deitado no tapete, dormindo e abraçado ao brinquedo velho. O novo estava a um canto.




Eu tinha um filho e agora não o tenho mais porque ele foi embora. E este meu filho, uma noite, me chamou e disse:


- Fica comigo. Só um pouquinho, pai!
Sou um homem muito ocupado. Mas meu filho foi embora. Foi embora e eu não o conheci."

[Oswaldo França Júnior]

terça-feira, 8 de novembro de 2011

VAMOS CONVERSAR, FILHOTES?


Revirando coisas que tenho guardadas, achei o texto abaixo, num papel que já estava começando a amarelar, apesar de ter apenas 4 anos de guardado. Ah, é inegável que ao tê-lo em minhas mãos voltei a um passado, que me pareceu tão distante e realmente foi porque conforme a narrativa, não voltei apenas há 4 anos; voltei há pelo menos 26 anos. Nossa, que turbilhão de emoções!  E quantas lágrimas corridas e lenços usados! E aí, vem comigo?


Hoje é 18 de Setembro de 2007. São 15hs07minutos. Esta tarde está ensolarada, mas venta bastante, o que faz o dia bastante fresco. Estou ao som de Creedance Clearwater Revival.

Tenho 27 anos, mas no mês de outubro completo 28. Estou desempregada. Passo por um momento que não havia programado – acho que ninguém programa seu próprio desemprego – e vou confessar... situação delicada. Não posso me afundar em pensamentos negativos, então estou focando minhas forças em pensamentos que me proporcionem bem estar. E ultimamente tenho pensado muito em vocês. Como posso pensar em vocês se não os conheço? É simples: posso não conhecê-los, mas vocês já estão comigo desde meus oito anos, nos meus planos, nos meus sonhos. E parece que agora estou mais próxima de uma meta estabelecida e não posso falhar, não posso parar... meu sonho está cada vez mais próximo... e isto traz uma sensação que não posso explicar no momento...

Sei que vocês não devem estar entendendo absolutamente nada, portanto nada melhor do que explicar. Este será uma espécie de diário. Um diário onde vou explicar para vocês certas coisas antes de tê-los em meus braços e vou registrar momentos que ainda vamos passar, juntos. Minha idéia é de poder fazer com que vocês sintam que não foi um acaso que os trouxeram até mim; vocês foram sonhados, planejados, esperados... anos a anos, meses a meses, dias a dias, minuto a minuto. Você foi uma decisão tomada quando eu ainda nem entendia direito a vida. E vocês foram uma decisão reforçada quando eu já tinha experiência o suficiente para determinar o que eu queria da minha vida, talvez pelo destino ou simplesmente porque eu fiz meu destino se voltar para vocês. 
Dizem que quando desejamos demais uma coisa, fazemos com que todas as forças do universo trabalhem a nosso favor, fazendo com que nosso desejo se realize e, mesmo se este desejo não estiver escrito em nosso destino por Deus, conseguimos que ele seja inserido em nossas vidas, de maneira que não mudará a essência de nossa trajetória. É como se Deus tivesse um grande livro de nossas vidas, com todos os caminhos que traçaremos determinados e, de repente, já que o livre arbítrio nos foi dado, Ele mesmo alterasse alguns caminhos e momentos que viveremos para que nosso desejo se faça e ao mesmo tempo não mude a estrada.

Ah, aqui também vou fazer citações e indicar livros, filmes, músicas e outras coisas que possam alimentar a formação social e cultural de cada um de vocês. E não esperem idéias prontas... antes de tudo quero fazer de vocês seres pensante, capazes de julgar ações e tomar decisões sozinhos. Claro, muito do que sou é devido a uma carga da educação que tive pelos meus pais, mas, principalmente pelo que aprendi fora de casa. São tipos de educação bem diferentes e é por isso que desejo estar preparada para cada pergunta que vocês me façam, para cada erro de vocês, cada julgamento e cada decisão tomada. E por quê? Porque crescer é difícil... e crescer sozinho é muito mais difícil ainda.

Além de mãe, quero a coluna, o alicerce e o livro de filosofias. Coluna e alicerce estão voltados para o material, para o concreto e, por sua vez, filosofia está voltado para um mundo de idéias, pensamentos. Ou seja, ao mesmo tempo que serei o ponto de apoio para vocês, desejo que sigam suas próprias idéias e desejos, com base em seus próprios valores e instintos e com o que julgarem moral e ético.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

ORAÇÃO DE CRIANÇA



Depois de muita conversa, discussão, interação e até bate boca, eis que o Gabriel e a Rebecca conseguiram, finalmente, chegar a um acordo para fazer uma oração antes de dormir.
Claro, precisei cortar muitas coisas porque a oração acabou se transformando num capítulo da Bíblia.


Me diverti muito, principalmente com o Gabriel ensinando, explicando, cutucando, e corrigindo a irmãzinha:
- Rebecca, quem fala "obrigado" sou eu porque eu sou menino. Você é menina e tem que falar "obrigada"!

Muitas vezes ela apenas obedecia e corrigia, recitando com "obrigada" novamente... outras vezes dava de ombros e continuava, sem ligar para o que ele falava. Eu precisava  prender minhas gargalhadas quando a ouvia dizer:

- Tá bom, Biel! Papai do Céu vai entender mesmo assim! Deixa eu continuar.

Ele não ficava satisfeito:
- Hora de falar com Papai do Céu é hora muito importante e séria. Não pode fazer brincadeira!

E ela resmungava e rebatia:
 - Eu não estou brincando. Eu só "rerrei". Papai do Céu entende que eu rerrei.

Precisei apaziguar a briga porque se permitisse ela iria longe, já que a Rebecca não se intimida e só pára quando a última palavra é a dela:
- Silêncio! Ou fala ou faz a oração. Assim Papai do Céu não entende nada, vai ficar todo confuso. Vamos recomeçar. O Gabriel fala obrigado e a Rebecca obrigada.

E finalmente saiu:




"Muito obrigado(a), Papai do Céu, pelo meu dia de hoje
Estou muito feliz
Obrigado(a) pela caminha onde vou dormir
Proteja a minha família
Obrigado(a)
Amém!"


O interessante de todo esse confronto foi saber que elas entenderam para que serve a oração. Elas não entendem quem é Papai do Céu, mas sabem que é preciso acreditar em algo para seguir a caminhada. O que mais me fascina é a pureza e a dedicação de cada um; creio que não há nada mais puro do que o coração e a oração de uma criança; elas não contestam nem duvidam, apenas acreditam. 

E acreditar para elas é TUDO.