sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

3 ANOS COM BIEL e BECCA


Avião sem asa,
Fogueira sem brasa,

Sou eu assim, sem vocês

Futebol sem bola,
Piu-piu sem Frajola,

Sou eu assim, sem vocês...

Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim

Quero vocês a todo instante

Nem mil auto-falantes
Vão poder falar por mim...

Amor sem beijinho,
A Becca sem o Bielzinho,

Sou eu assim sem vocês

Circo sem palhaço,
Namoro sem abraço,
Sou eu assim sem vocês...


Tô louca prá ver vocês chegarem
Tô louca prá unir nossas mãos

Deitar nos teus abraços

Retomar o pedaço
Que falta no meu coração...

Eu não existo longe de vocês
E a solidão é o meu pior castigo

Eu conto as horas pra poder vê-los,

Mas o relógio tá de mal comigo!
Por quê? Por quê?
Neném sem chupeta,
Romeu sem Julieta,

Sou eu assim, sem vocês

Carro sem estrada,
Queijo sem goiabada,
Sou eu assim, sem vocês...

Vocês...
Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim

Quero vocês a todo instante

Nem mil auto-falantes
Vão poder falar por mim...

Eu não existo longe de vocês
E a solidão é o meu pior castigo

Eu conto as horas prá poder vê-los,

Mas o relógio tá de mal comigo...



Há exatos 3 anos Deus promoveu um encontro entre Gabriel, Rebecca e eu.


Há exatos 3 anos eu vi aquele anjinho entrando numa das salinhas do abrigo, me olhando fixamente e indagando, com as mãozinhas na cintura, como um homenzinho:
"Então é você que vai ser minha mamãe?"



E também foi há exatos 3 anos que aquela bebezona de 18 meses me beliscou e me mordeu pela primeira  vez - entendi isso como "é você que eu quero como mamãe" - já que apesar da idade não falava nem andava.


Primeira festinha juntas
Alguns meses antes deste encontro eu rompi um relacionamento há alguns quilômetros do altar. Logo na sequência fui demitida de uma empresa onde eu esperava conseguir fazer carreira. Só consegui voltar ao  mercado de trabalho 27 meses depois do nosso primeiro encontro, e mesmo assim numa área totalmente diferente da qual me formei.
A primeira briga



Como notaram, a adoção não foi nenhum conto de fadas - porém também não foi um conto de bruxas!







Até hoje nada - absolutamente nada - está como planejei. Tudo - absolutamente tudo - está fora do lugar.


     

Mesmo passando por tudo que passei e continuo passando não queria, em hipótese alguma, que essas coisas não tivessem acontecido.



Gabriel e Rebecca mudaram a minha vida.




Gabriel e Rebecca me fizeram sorrir, rir, gargalhar.




Gabriel e Rebecca me mostraram que as coisas pequeniníssimas podem ser maravilhosas.




Gabriel e Rebecca me ensinaram o que é o amor - nada de retorno... apenas entrega.




Gabriel e Rebecca me amam. Não sei o por quê. Gabriel e Rebecca me amam e ponto.




Não há nada mais gratificante que o olhar feliz de uma criança.





Não há nada mais delicioso que um abraço quente e apertado de uma criança, assim, sem motivos.


Nada mais confortante que um beijo para começar o dia.



Não há emoção  maior que ouvir "Mamãe, eu te amo!" quando você menos espera!




Apenas o Gabriel e a Rebecca me amam de verdade e que este amor seja eterno enquanto dure!




Gabriel e Rebecca, vocês são tudo pra mim.




Gabriel e Rebecca, não existe vida sem vocês!






Obrigada, Senhor, por permitir nosso encontro há 3 anos!


01 ano Juntos!!!

Obrigada, Gabriel e Rebecca, por invadirem minha vida há 3 anos!




Obrigada, Gabriel e Rebecca por me escolherem como "mamãe".




Obrigada, Biel e Becca por me transformar numa mulher melhor, feliz e completa!



Obrigada, Biel e Becca por me adotarem!!!






PARABÉNS A NÓS, AMORES!!!





AMO-OS DESESPERADAMENTE.















domingo, 9 de dezembro de 2012

NÓ NA GARGANTA

O fato que vou narrar aconteceu na última sexta feira, 07/12/12, mas a imagem parece ter sido tatuada na minha mente. Por mais que eu faça esforço para esquecê-la, apagá-la, me parece totalmente impossível.
Aquela sexta não foi nada fácil para mim. O dia não foi produtivo, não consegui fazer contatos comerciais e isso mexeu amargamente com meu humor. Além disso, desde que a Rebecca fez a cirurgia ando com os nervos à flor da pele, tensa, preocupada, noites mal dormidas, sem contar o stress que sinto todas as terças feiras quando vou levá-la ao IAMSPE (Hospital do Servidor Público Estadual) para que seja injetada a solução em seu expansor tecidual. Além da viagem longa, de aproximadamente 3 horas para a ida e mais 3 horas para a volta - são  um total de 6 ônibus, fora o calor e trânsito - tem a própria espera dentro do hospital porque muitas vezes os médicos estão ou em cirurgia ou em outros procedimentos de urgência, já que o tratamento é acompanhado pela unidade de Queimados. Depois ainda tem o  procedimento em si, que irrita a Becca,  ela fica com medo, acha que fará nova cirurgia, e a própria injeção da solução  é um procedimento  incomodo; não diria doloroso, mas conforme há expansão, há naturalmente uma pressão entre o crânio e o couro cabeludo, já que o mesmo está sendo "esticado". Logo, tudo isso tem contribuído, e muito, para meu humor não andar muito bem, muito menos minha paciência.
Enfim, nestes últimos meses estou extenuada, sem forças físicas ou psicológicas.
Mas, voltemos ao assunto inicial desta narração. Na verdade descrevi o meus estado de espírito para que vocês possam entender porque fiquei tão abalada.
Saí do trabalho umas 20h15min. Segui caminho até o ponto de ônibus, cansada, mas ainda tinha que passar  numa farmácia de manipulação para pegar o remédio para a Rebecca. Teria que fazer um caminho muito mais longo, o que faria com que eu chegasse mais tarde em casa, e, provavelmente não veria meus filhotes mais... estariam dormindo.
Desci  num ponto próximo à farmácia, andei cerca de 20 minutos, peguei a fórmula  e ao sair vi um supermercado. Não resisti à tentação de entrar e comprar alguma "besteirinha" para agradar meus filhos, mesmo que fosse no dia seguinte. Como estava cansada , não estava nem um  pouco a fim de ficar andando... entrei direto na sessão de chocolates/bolachas.  Não pensei duas vezes e peguei 2 caixas de Bis, uma de sabor Chocolate ao Leite e outra de Chocolate Branco. Paguei e voltei ao ponto de ônibus, com uma vontade desesperadora de ir para casa.
Lá estava uma mulher, aparentemente mais nova que eu acompanhada por 3 crianças. Não tenho certeza das idades, mas a mais velha, um menino, não passava dos 4 anos. A do meio, uma menina, provavelmente estava com 15, talvez 18 meses porque percebia-se que ela ainda estava aprendendo a andar. A menor, ainda no colo, calculo que deveria ter uns 5 meses. Tanto a mãe quanto as crianças estavam com roupas bem simples... as crianças com roupas bem maiores que elas e os calçados também. Estavam despenteados, sujinhos e com um semblante muito, muito triste. Não sou hipócrita; a cena me causou choque, senti um vazio dentro do meu ser que não sei explicar. Evitei ao máximo não olhar para eles porque eu sei que acabaria me envolvendo de alguma maneira. Então comecei a mexer no celular, mas minha mente estava longe porque eu só pensava que  o mundo era muito desigual. Lembrei imediatamente dos meus filhotes, que aquelas horas já haviam tomado banho, jantado, escovado os dentinhos, com pijamas confortáveis e dormindo em lençóis coloridos e perfumados. E a sensação de  incapacidade foi tomando conta do meu coração; não sei o por quê.
Enfim, o ônibus parou. A mulher pediu ao motorista que a deixasse entrar pela porta traseira. Enquanto ela se dirigia com os filhos para o fundo do ônibus, entrei e paguei a passagem. Foi então que vi os 4  espremidos entre 2 bancos. Ouvi o choro aguçado do bebê e o desespero da mãe tentando acalmá-lo. Em meio ao escândalo, ouvi o menino falar para a mulher:
- Mãe, eu tô com fome! Eu quero comer!
Talvez por estar irritada com o choro agudo do bebê, a mulher beliscou  o primogênito e respondeu brava:
- Você sabe que não tem comida! Então fica quieto se não vou te bater!
Antes mesmo que ela terminasse a frase, a menina também sussurrou:
- Oh, mãe, eu também tô com fome!
Ao invés de prestar atenção na próxima atitude da mãe, aceleradamente meu cérebro entrou em processamento: "Meu Deus, as crianças estão com fome. E agora? O que você vai fazer Elaine?"
Sem muito pensar dei as duas caixas de Bis nas mãos da mãe e apenas disse:
- Olha, dá pra eles... engana a fome até vocês chegarem em casa...
Mesmo sabendo que eles chegariam em casa, eu temia que lá também não houvesse nada para comer, porém não perguntaria.
A mulher apenas sorriu, talvez por vergonha e os olhos das crianças brilharam de alegria.
Aquilo poderia acalmar meu coração, mas a cena seguinte foi muito mais chocante do que ver as crianças reclamarem de fome.
A mãe abriu uma das caixas de Bis e entregou um para a menina e outro para o menino. Eles sorriram. E, para meu espanto, ambos colocaram o pequeno doce inteiro na boca... mas com embalagem. E mastigavam vorazmente, sem notar ou achar um gosto estranho pelo conteúdo da embalagem que era meio metálica.
- Que isso, menino? Tem que abrir primeiro! - e a mulher bateu na mão da menina.
- Abrir o que, mãe? - indagou o menino, ainda mastigando o doce que já estava totalmente misturado com a embalagem.
- Assim, ó... tá vendo, tá vendo? - a mulher abria um enquanto explicava.
Mas, tanto o menino quanto a irmãzinha já estavam engolindo o que já havia sido mastigado, sem demonstrar preocupação.
Então eu senti um nó sendo feito na minha garganta. Um nó sem pontas.
Meu Deus! Eles nunca haviam comido um chocolate! Tudo bem, não quero julgar a proporção da "pobreza", mas eles não sabiam que alimentos vinham em embalagens? Ok, era um chocolate, talvez algo que as condições da mãe, infelizmente, não pudera proporcionar a eles. Mas será que nunca tinham ganhado uma bala? 
Houve um misto de revolta, dor e amarga tristeza dentro de mim. O nó que havia se formado em minha garganta me sufocava... não resisti... deixei que as lágrimas escorressem pela minha face. E desci no próximo ponto porque aquilo era demais para o meu coração, que estava em cacos.
Puxa, eu poderia ter feito mais!
Puxa, eu não vou resolver todos os problemas do mundo!
Se eu ajudar 3 crianças ainda existirão 3 bilhões sem assistência!
Ok, não vou resolver, mas fiz minha parte!
Fiz minha parte? Não! Isto não me conforta!!!
Sempre ODIEI falar de política e religião, mas naquela hora eu xingava os governantes:
Cadê o tal Partido do Trabalhador e aquela marionete, que vomitava vir do povo e por isso mudaria tudo? Cadê você, Lula??? Cadê o Bolsa Família? Cadê o Brasil Sem Fome??? Cadê a PORRA do Plano de Aceleração do Crescimento? Cadê você, companheiro, que ficou 8 anos no poder e se quer conseguiu alterar as taxas de pobreza???
Cadê o Brasil país de todos?
Puxa, peço perdão... esqueci que enquanto haviam mensalões e dólares na cueca, você não estava vendo nada!
Já se passaram 2 dias e eu continuo incomodada, revoltada e esse nó na garganta não é desatado!

Deus, me ajude a esquecer... é só o que tenho de pedido hoje!



Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração?
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração?
(Plebe Rude - Até quando esperar)




quinta-feira, 4 de outubro de 2012

PASSEIO NA FEIRA




Nunca vou me cansar de dizer que crianças são incríveis. A cada dia que passa fico mais convencida disso e lamento profundamente que nós, adultos, perdemos o encanto, a inocência, a simplicidade e a ingenuidade.
Já faz um bom tempo que não folgo mais aos sábados. Muitas vezes também acabo tendo que trabalhar aos domingos e, infelizmente, acabo por não participar de todos as pequenas grandes descobertas que meus filhos fazem. Mas isso não me entristece. Tenho a sorte que certas coisas eles descubram juntamente com meus pais. E essa descoberta ao mesmo tempo também proporciona uma experiência nova não somente aos meus filhos; principalmente para os meus pais. 

Não vou negar, minha irmã e eu não tivemos uma infância de conto de fadas. Às vezes, quando penso em nossa infância, na verdade ela está mais próxima de um conto de assombração. Passamos por coisas que, provavelmente, só nós duas sabemos e, por mais que expliquemos, ninguém nunca conseguirá entender ao certo o que passamos. Até hoje não consigo achar um único adjetivo para simplificar o que foi minha infância. Não sei se foi boa ou ruim. E sei que também não foi de toda ruim, mas muito longe de ser boa.  Quando paro para pensar no que foi minha infância, fico atônita e não consigo sentir nada. É como se houvesse uma lacuna na minha vida, a qual eu não vivi. Procuro pensar e relembrar algumas coisas, mas sempre pisco e já me vejo com 13,14 ou 15 anos. Tenho muitas mágoas e chateações; talvez por isso minha mente bloqueie recordações traumáticas. 
Infelizmente, só depois que me tornei mãe é que pude começar a observar as coisas com outros olhos. Se tive momentos quando criança que me chocaram e que me fizeram apagá-los não são única e exclusivamente por "culpa" dos meus pais. Agora vejo que eles NUNCA foram omissos ou desleixados. Assim como eu agora, com o Gabriel e com a Rebecca, eles erraram tentando acertar, tentando fazer o melhor. E bem diferente de mim, que tive instrução, li muito, tive o privilégio de alcançar a pós graduação e ter muitas experiências para tomar as decisões que tomo e que nem sempre são 100% perfeitas, tanto meu pai quanto minha mãe não foram preparados, não tiveram instrução, não puderam se informar sobre tudo que precisavam fosse com amigos, profissionais da área, etc e tal. Eles se quer tiveram o privilégio de ter o auxílio dos pais próximos. Tanto Dona Flor quanto Seu Dôgas se aventuraram num mundo louco. Meteram as caras, foram guerreiros. Construiram uma família praticamente sem estrutura, sem alicerce, e como TODAS as pessoas, NÃO SÃO perfeitos. Erraram. E erraram muito. Erraram feio. Mas DUVIDO que erraram intencionalmente alguma vez. DUVIDO que erraram sabendo que havia algum erro. E por mais errados que tivessem, NUNCA deixaram de arcar com as consequências. E por mais diferente que tenha sido, sempre tiveram AMOR. Um amor que não foi expressado como deveria ter sido; mas eu SEI que houve amor. E, mais uma vez, ressalto que, INFELIZMENTE, eu só tenha me dado conta de tudo que relatei agora, depois que me tornei mãe e vi o quão difícil é ser perfeita para os filhos. Espero que, futuramente, o Gabriel e a Rebecca possam e consigam me perdoar por tudo que deixei de fazer e, principalmente, por tudo que fiz sem ter conseguido superar as expectativas que eles tiveram, tem e terão.
Acho incrível meus pais terem a oportunidade de estarem bem próximos dos meus filhos porque, de uma maneira ou de outra, eles acabam revivendo ou, muitas das vezes, vivendo momentos que não puderam viver com minha irmã ou comigo; não que eles não quisessem, mas na maioria das vezes porque não podiam, principalmente em questões financeiras.
E o "causo" que se descrevo abaixo é um momento de descoberta que meus filhos tiveram como acompanhantes meus pais.

Crianças tem sonhos que nunca entederemos. Crianças ficam deslumbradas com as menores coisas. Crianças se empolgam com o simples.
Acreditem: um dos grandes sonhos/desejos do Gabriel e da Becca era conhecer a feira. Por mais que eu explicasse e mostrasse fotos, eles não compreendiam o que era uma "feira livre". A única coisa que se passava na mente deles era um local encantado, cheio de frutas saborosas e fresquinhas. É, sei que não é nada comum, mas meus filhos ADORAM frutas; na verdade, ADORAM tudo que é de comer... são ÓTIMOS de garfo!!!
De tanto ouvir meus filhos pedirem para ir até a feira, meus pais decidiram separar um sábado para levá-los ao paraíso. "Um lugar fabuloso onde o vovô compra coisas deliciosas!" - palavras da Rebecca.
Naquele sábado acordei cedo e me aprontei para o trabalho. Deixei os dois dormindo e confesso que estava muito curiosa por saber como seria a experiência de conhecer a tão encantadora feira.
Meu dia foi agitadíssimo. Tão agitado que não consegui ligar para casa e saber como tivera sido o passeio. Cheguei em casa e mal abri a porta e já fui perguntando:
- E aí, filhotes? Como foi a feira? 
- Maravilhoso! - sorriu felicíssimo o Gabriel. - Mamãe, eu comi melancia, abacaxi... um montão de fruta docinha. Ah, e quando a gente tava voltando o vovô comprou pastel e um negócio verde de beber!!!
O tal negócio verde de beber era o tão famoso caldo de cana.
Achei estranho porque a Rebecca permaneceu calada e desviava o olhar do meu.
- O que foi, Becca? Por que essa cara? Você deu trabalho pra vovó e pro vovô na feira, né?
- Eu não fiz nada! - respondeu prontamente.
- E o que aconteceu? Você gostou da feira?
A monocelha ficou arqueada e com aquela expressão de angústia, ela soltou desesperadamente, sem vírgula ou pausa.
- Eu não vou lá nunca mais que "lugae" quente eu não vou lá de jeito nenhum um povo "apeitando" a gente e "guitando" um montão de coisa eu fiquei cansada e suei e meu ouvido doeu não não não "queio" mais...
Como tantas outras vezes, me segurei para não rir.
- Mas e o pastel? Nem do pastel e do negócio verde de beber você gostou?
- "Deusu" me livre. Aquele negócio "veide" é de capim e eu não como mato. E o pastel é melhor em casa. Pastel na feira nunca mais. Eu quero o pastel que você "traizi" e a gente come em casa, sem aquele montão de gente "apeitando" a gente e "guitando".
Olha que engraçado. O que para um foi um sonho concretizado para o outro foi um perfeito pesadelo.
Crianças... que maravilha tê-las em minha vida!
Pais... que maravilha ainda tê-los em minha vida!

CRIANÇAS e PAIS... QUE MARAVILHA TÊ-LOS EM MINHA VIDA!!!



domingo, 16 de setembro de 2012

GAIGANTA ELÁSTICA


O que mais me encanta nas crianças é a maneira como elas sempre querem mostrar, de um jeito ou de outro, que aprenderam algo, mesmo que você não tenha ensinado.
Uma coisa que nós, adultos, deveríamos ter, mas, infelizmente, perdemos com o tempo, é a maravilhosa curiosidade e, principalmente, o poder da observação.
Vira e mexe ouço as pessoas dizerem: "Nossa, as crianças de hoje em dia estão inteligentes demais!"

Não, elas não estão inteligentes demais! Nós é quem estamos ficando preguiçosos e impacientes! Estamos retrocedendo e nos tornando cada vez mais ignorantes. Por quê? Oras, não damos mais tempo aos pensamentos... somos imediatistas, queremos ganhar tempo, quando na verdade o que mais fazemos é perder tempo! Creio que alguém irá concordar comigo (pelo menos em alguma coisa) que o que nos limita de aprendizado contínuo é, além do sedentarismo, a mania de querer tudo sempre tão perfeito e, principalmente a falta de paciência... sim, paciência... qual é mesmo o significado dessa palavra? Você sabe? Você lembra? É, eu também esqueço de vez em quando...
Minha convivência com meus pequenos só me faz acreditar mais e mais como as crianças aprendem somente com a observação. Há quem ache que não aprendem nada, apenas imitam.
Não tenho certeza há quanto tempo minha mãe, a tão querida e amada e estimada Dona Flor, foi diagnosticada com "tosse alérgica". Pelos sintomas, até parece ser coqueluche porque ela tosse dia e noite e até o momento nenhum medicamento tomado conseguiu amenizar os sintomas. Às vezes ela até fica nervosa, esbraveja, xinga e grita:
- Não aguento mais essa garganta alérgica! Não vou sarar nunca mais! De tanto tossir me dói até o peito! Nem dormir mais eu consigo! Que raiva! Maldita tosse alérgica! Essa garganta que não sara! Não tô aguentando mais! E lá se vão mais uns 10 minutos ininterruptos de tosse. 
Ouvi Dona Flor fazer essa reclamação muitas, muitas, mas muitas vezes... e, não tive a oportunidade de contar...
O engraçado é que depois que a Rebecca entrou na escolinha também parei de contar as vezes em que ela está com tosse ou gripadinha. Por mais que eu mantenha a mesma rotina para evitar que ela fique doentinha, mas parece que quanto mais cuidados tomamos, mais fácil é para que ela entre em contato com vírus e bactérias... ai, vida de 
mãe!!!
E num desses períodos de resfriado e muita tosse, ouço uma pérola da Rebecca:
- Ai, ai... tô ficando igual a vovó!!! Tô tossindo tanto que tá doendo o peito! Que doe de cabeça! Ai, ai... essa "gaiganta elástica", viu? Cof, cof, cof...
- Garganta o quê, Becca? - segurei a gargalhada.
- Gaiganta elástica, mamãe! Igualzinha a da vovó. Olha como eu tô tossindo! Culpa dessa gaiganta elástica!!!
Numa situação dessas, o que fazer? Corrigir?
Será que há mesmo necessidade de corrigir? Afinal de contas, a expressão "gaiganta elástica" apareceu após muitas observações que foram feitas enquanto a vovó Dona Flor tossia e reclamava...

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

OH, ENAINE, ME DEIXA DUIMI!!!


Era manhã. Entrei no quarto para acordar a Rebecca para a escola. Enquanto abria as janelas, já me preparava para as futuras reclamações: 

"Poi que tem que ir pra escola todo dia, todo dia, todo dia???"
"Poi que você não me deixar duimi mais, hein, Enaine?"
"Hoje a gente tem que ir pra escola de novo?"
"Oh, Enaine, me deixa duimi, calamba!!!"
"Eu não gosto de ir pra escola todo dia, não!"
"Quando eu ficar em casa, vou doimi o dia inteiro!"
"Eu  não gosto disso não, Enaine!"

Mas naquela manhã as coisas foram diferentes. Talvez ela já estivesse cansada de sempre falar as mesmas coisas e notar que as reclamações não faziam com que eu mudasse de idéia. Mesmo após a claridade da manhã invadir o quarto, ela ficou quietinha. Puxei o edredom e notei que ela estava ali, em posição fetal, como se quisesse virar um tatu bola!

- O que é que você vai inventar agora, hein, Becca?
- Não vai me falar "bom dia", não, hein? - ela me repreendeu.
Constrangida, corrigi o deslize.
- Bom dia, pequetucha! Vamos levantar?
- Bom dia. Acho que hoje não posso ir à escola, Enaine!
- Hum... é mesmo? comecei a organizar as camas. - Qual o problema?
- Mamãe, tô com "doe"...
- Dor, Becca? 
- Isso, mamãe.
_ Onde está doendo?
- No "ossobidome".
- Onde? - segurei a gargalhada.
- No ossobidome.
- E onde fica isso?
A monocelha ficou arqueada.
- Oras, aqui, na barriga! - e colocou a mãozinha no abdomem. - Parece que nem foi na escola! Como é que a mamãe não 

sabe o que é o ossobidomem!!! 
- É que eu esqueci.
- Que coisa feia! Será que eu vou ter que falar pra vovó levar você pra escola, é?
- Por falar em escola, levante-se! Já, já o ossobidome parar de doer.
Contrariada, ela sentou na cama e ficou emburrada de vez.
- Então tá. Depois se a "fofessora" escrever na agenda "poique" não gostou que você me mandou com o "ossobidome" doendo, eu nem vou ligar, tá?
Levantou-se, calçou os chinelos e seguiu caminho pelo corredor.

E tem há quem diga: "É apenas uma criança."
Sinceridade? Às vezes tenho dúvidas...

(Continua)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

CONVERSAS e CRIANÇAS



Passei um tempo longe daqui. Passei um tempo sem escrever, procurando novas inspirações, estudando outras coisas, experimentando outros sabores. 
Não que a minha doce e amarga tarefa de ser mãe tenha se tornado fácil ou simples... apenas precisei reorganizar coisas pendentes; precisei de um tempo para me focar em outras decisões que só poderiam ser tomadas por mim. E, nesse meio tempo, houveram situações inusitadas, as quais irei simplificar nas linhas abaixo.
Boa leitura!

"- Mamãe,por que você não casou?
Pelo mais incrível que pareça, a pergunta não me causou nenhum espanto. Até acho que ela demorou para ser feita.
- Porque não.
- "Porque não" não é resposta! - disse a Rebecca com ar de impaciência.
Incrível como as crianças tem o dom de guardar situações onde nós, adultos, nos comportamos de maneira inapropriada e posteriormente, quando menos esperamos, usam nossos próprios argumentos contra nós mesmos! Cuidado com o que se diz à uma criança!
- Ah, Becca... não sei... - fiquei pensativa e uma retrospectiva de minha vida afetiva passou na minha frente em apenas um piscar de olhos. - Quer dizer, eu sei sim. A mamãe não casou porque a mamãe é feia e deve ser muito chata. Por isso ninguém quis casar com a mamãe.
Ela fechou a cara. A monocelha ficou arqueada.
- E quem foi que não quis casar com a mamãe?
- Um rapaz aí...
- Ele é um bobão... porque a mamãe é linda! E não é chata não!Tsc, tsc, tsc... a mamãe é linda e muito legal!
- Calma, Becca... ninguém é obrigado a gostar da mamãe... - segurei o riso.
- A gente vai achar alguém pra casar com você!Vai sim! Eu sei que vai!E você vai ser feliz para sempre!"

Ah, crianças! Que maravilha seria se todos os problemas se resolvessem da maneira como as crianças imaginam! Bem que não casar não é problema algum... mas na visão da minha pequena eu só serei "feliz para sempre" se eu casar. E, acreditem se quiser, essa ânsia para que eu case não é para que ela ou o irmão tenham um pai... é simplesmente para que eu seja feliz, como se eles não me fizessem felizes o bastante!

E mais uma vez preciso escrever: "Descobri o sentido da vida: O amor me rodeou." (Menotti Del Picchia)

Mas não vou negar, ouvindo o que ouvi da minha pequena, a imagem ao lado ficou na minha mente como um castigo... fazer o que né...







(Continua!)