domingo, 14 de agosto de 2011

PAI?


O dia que se comemora hoje sempre foi uma das datas mais amargas para mim.
Durante uns 2 ou 3 anos eu tentei mudar. Em conjunto com minha irmã, comprei presente, entreguei, fingindo que havia esquecido tantas cenas ruins que estavam na minha memória, colocando um sorriso frio e amarelo na face e mentindo pro meu coração que as chagas já estavam fechadas e cicatrizadas. Mas de nada adiantou... assim como nunca consegui dizer "Feliz Dia dos Pais" também nunca ouvi um "Obrigado, filha".

E para deixar o meu dia mais amargo e intolerável presenciei uma cena que realmente me machucou muito mais que deveria. Sei o quanto fui egoísta naquele momento, mas não vou negar que ao ver meu pai brincando de esconde-esconde com meus filhos hoje, entre gargalhadas, abraços e beijos, eu rebobinei automaticamente um vídeo de recordações. O incrível é que não consegui encontrar nenhuma imagem que fosse, ao menos, parecida.  O que me veio à memória foi um momento de agonia, que eu corria atrás de um homem que na verdade eu nem conhecia (porque não parecia meu pai nem tinha comportamento de pai), pedindo e chorando para ele não jogar a tv de 12" no meio do quintal porque eu gostava de assistir o "Balão Mágico".

Já admiti que fui egoísta. Sorte dos meus filhos por terem um momento tão gostoso e divertido. Sorte a do meu pai que finalmente está podendo ser pai com netos. E azar o meu que não tenho como resgatar esse momento. Mas fechei os olhos e, chorando, muito magoada falei com Deus: "Obrigada, Senhor, por esse momento na vida do Gabriel e da Rebecca. Obrigada por eu estar conseguindo dar a eles tudo que não tive e que talvez eles nunca teriam. Só eu sei o quanto isto é importante para a formação psicológica deles."

Existem lacunas, espaços vazios, campos em branco na história da minha vida... e o maior espaço está exatamente no período de infância. Não me lembro de uma presença masculina ou um símbolo de "pai". Acabo de revelar aqui o porquê da minha decisão em ser mãe solteira... para mim só importa mesmo mãe. E eu quero ser exatamente aquilo que minha memória gravou: uma mãe-pai.

Segue agora um texto muito antigo que escrevi... mas eu ainda não mudo uma palavra...

Eu sou seu espelho
Eu sou a semente que você plantou
E se esqueceu de regar.

Você me transformou
Não permitiu que eu evoluísse
Me trancou dentro de mim
E mesmo assim todo o problema é meu.

Me fez acreditar que todos eram como você
E eu me choco ao encontrar emoções
A minha e a sua frieza me machucam
E eu não queria tê-la.

Cada vez mais eu desço
E tento encontrar uma parte minha
Porém tudo que encontro é seu
Eu já não tenho mais forças
Para sair do meu corpo
Meus olhos, minha boca,
Minhas mãos, meu coração
Estão trancados
E você destruiu as chaves.

Sou ainda tão jovem
E já tão cansada da vida
Porque eu me perdi
Eu perdi minha vida para você.

Você não deixou que eu experimentasse
Me afastou, me prendeu
Me matou e não percebeu.

Não quero o fruto do seu trabalho
Não falo de dores físicas
Mas o que é um relacionamento sem relacionamento?
Você me fez adulta antes do tempo
                                 
E eu perdi minha pureza
Agora só tenho o medo de sentir medo
E uma pessoa dentro de mim
Que não conheço.

25/11/97
13h22min

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

DOAÇÕES PARA O ABRIGO CASA LUZ



É mãe ou pai? Tem filhos de 0 a 7 anos?
Por que não aproveita o fim de semana para separar aquelas roupinhas que seus filhos não usam mais e você não sabe o que fazer?
Cooordeno uma "campanha", sem datas especiais, ou seja, essa campanha perdura o ano todo, para arrecadar roupas, calçados e brinquedos para doar ao Abrigo Casa Luz, onde conheci meu anjo Gabriel e minha jóia Rebecca.

NÃO É O ABRIGO QUE PEDE; FAÇO A CAMPANHA ESPONTANEAMENTE.

O Abrigo Casa Luz vive de doações e cuidam de crianças de 0 a 7 anos que foram retiradas dos pais por abusos, maus tratos ou violência doméstica e, motivos de segurança, não pode divulgar endereço e telefones, já que as crianças que estão lá foram retiradas dos pais e não abandonadas, logo temem que os pais queiram ira ao abrigo para resgatá-los.

Mas se você quiser conhecer ou ter informações, é só me comunicar, que eu os levo lá pessoalmente! Obrigada!

Caso queira participar desta "campanha", entre em contato que eu mesma recolho as doações. O contato pode ser feito e-mail: mae.adotiva@hotmail.com.

Aproveite para ler um texto do meu blog, que falo sobre a experiência de conhecer um abrigo!

http://diariodeumamaelegal.blogspot.com/2011/07/um-porto-uma-baia-uma-enseada.htm

terça-feira, 9 de agosto de 2011

DIA DOS PAIS E A FORÇA DA PROPAGANDA!



O que vou postar hoje aqui é super recente! Aconteceu ontem a noite... dessa vez, coisas do meu Biel...

Tá chegando o Dia dos Pais. Não pense você que estou preocupada porque tenho que sentar e "inventar" uma historinha qualquer para o Gabriel (não envolve a Rebecca que é menor e nem liga para o fato) falando sobre pai. 

Não, não enganei, não engano e jamais me prestarei a esse papel com meus filhos. Por mais dura que seja a realidade, é dentro dela que eles irão crescer. E o Gabriel já tem consciência que ele não tem pai. Não tem pai e ponto. Não tem pai e pronto! Pai é pai. Avô é avô. Desculpem-me aqueles saudosistas que vivem dizendo que "Avô é pai duas vezes" ou que "o avô representa o pai". Discordo em número, grau e gênero. Cada um dentro da família tem que assumir e desenvolver seu papel. E meu pai não é pai do Gabriel nem da Rebecca. Ele é meu pai. Ele é avô do Gabriel e da Rebecca.

Agora é diferente o meu discurso. Meu pai é avô do Gabriel e ponto. Meu pai não é pai do Gabriel e pronto! Meu pai é um homem, aquele que representa a figura masculina para o Gabriel, assim como meu sobrinho e meu cunhado, mas cada um no seu quadrado.

Já ensinei ao Biel que o pai dele é Papai do Céu. E que o vovô é um homem que vai ajudá-lo a se desenvolver e crescer como um homem. O vovô será um espelho no qual você irá se apoiar. Mas, não adianta, você não tem pai aqui. Você tem o melhor pai do mundo que é Papai do Céu.

Veja meu diálogo com ele:
- Não esqueça, se te perguntarem quem é o seu pai o que você responde?
- Que meu pai é Papai do Céu.
- E se perguntarem do seu avô...
- Ué, ele é o vovô, não é pai!
- E se perguntarem porque você não tem pai?
- Eu falo que minha mãe não é casada nem tem namorado. E se ela casar com um homem ele não será meu pai. Ele será meu amigo e "paidrasto".
-E se perguntarem como você nasceu sem pai?

- Ai, mãe... - a conversa já estava ficando chata para ele. - Eu falo que eu tenho um pai, mas o pai que eu conheço é Papai do Céu.

- E o que você vai fazer no Dia dos Pais se você não tem pai?
- Uuuuuuh, eu vou abraçar e beijar o vovô porque ele também é pai, mas é seu. E no Dia das Mães eu abracei e beijei você e a vovó porque a vovó também é mãe, mas é sua.
- Uau! Você aprendeu! Venha cá e me dê um abraço. - eu toda orgulhosa.

Depois do abraço misturado com um beijo ele ficou pensativo e falou:
- Mas eu queria dar um presente pro vovô no Dia dos Pais.
- E o que você quer dar?

Gente, ouvi uma resposta mais que inesperada. Ouvi o pedido, fiquei estática. Senti vontade de rir, e muito, mas me contive. Automaticamente meu sangue de marketeira ferveu em minhas veias e eu notei o poder da propaganda e do marketing. Eu, como profissional, sempre considerei a propagando do produto que o Biel pediu a mais grotesca, mal produzida... resumindo péssima! Sem contar que há anos é a mesma. Notem: não estou avaliando o produto, estou falando da propaganda!

Propagando feia, trash, horrível, barata, chega a ser ridícula, mas não é que a empresa conseguiu alcançar um público? Porque eu, marketeira que sou, tenho certeza que isso não se passou apenas pela cabeça do meu filho, que é de classe C ou D. Muitas crianças devem ter pensado o mesmo que meu filho.


Acreditem se quiser, mas meu filho quer presentear o avô, por ser pai e não por ser pai dele com um refrigerante Dolly.


  E agora você, sendo profissional da área ou não, me responda:
Mesmo que a gente considere o produto ruim ou de qualidade média, a empresa conseguiu ou não conseguiu ser uma marca muito lembrada?
Meu filho poderia ter pedido uma Coca-Cola, uma Sukita, uma Fanta, uma Pepsi, uma Sprite ou qualquer outro produto renomado.
Mas não, quem entrou na cabecinha dele foi a Dolly.
E eu te pergunto, por quê?

Se você tem uma opinião do motivo pelo qual meu filho escolheu Dolly, deixe no comentário.

Eu tenho um ponto de vista, mas adoraria ler o seu!

Abraços 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

SACOLA PARA MÃO


 Eu, que sou cabeleireira particular da minha mãe, mas só para pinturas, tive um momento de estresse que ao mesmo tempo me levou a um momento seguido de boas gargalhadas.

Como vocês já sabem, tenho uma filha de 03 anos, a Rebecca ou Becca ou Bebecca. E ela é muito, mas muito sapeca e curiosa! Quer aprender tudo e ao mesmo tempo! Não se contenta em ver, precisa pegar, tocar, sentir... e, é claro, não foi diferente com o "kit tintura". Pegou os pincéis e a tigela, colocou na boca, lambeu... só não fez o mesmo com a água oxigenada e o tubo de tinta porque, óbvio, estavam sobre a geladeira.

Minha mãe já estava pronta e à minha espera, sentada e com aquela expressão de impaciência. Então, decidi acelerar o processo.

Primeiro passo: colocar as luvas de polietileno descartável, ou seja, as luvinhas de plástico. E procuro e procuro e procuro.... tolice a minha, só poderia estar com a Rebecca, lógico! E começa o corre-corre pela casa...

- Rebecca, me dá isso aqui!
- E as palavrinhas mágicas? - esse é o mal de sempre ensinar o certo... quando a gente dá uma gafe, leva uma bela bofetada
- Tá bom, Rebecca, me devolva a luva, por favor!!!
Ela parou, olhou para as mãos. Calmamente começou a retirá-las e me respondeu, com ar muito arrogante:



"- Oras, mamãe. Isso não é "liuva"*. Isso é sacola para mão!"

Diante da declaração, não me restou parar, olhar para minha mãe e soltar um gargalhada alta e gostosa!

O argumento dela era incontestável, afinal de contas o material é idêntico ao de sacolinhas de supermercado, mas aquelas sacolas eram para as mãos.

Crianças. Que maravilhas tê-las em nossa companhia!
Crianças. Uma pena que cresçam...







* Liuva: apesar dos 3 anos, algumas palavras ainda são mal pronunciadas, como é o caso de "luva", que se torna "liuva".
  

domingo, 7 de agosto de 2011

MÃES INTELIGENTES CRIAM FILHOS, FELIZES

Li o texto e logo me identifiquei. Tenho certeza que você que também é mãe, sentirá o mesmo que eu! 
Eu, fã que sou do Tejon, não apenas pela sua Cabeça de Líder (tive a honra de conhecê-lo quando trabalhava no Grupo O Estado de São Paulo) não posso deixar de compartilhar que ele será um enorme exemplo de vitória, superação e sabedoria para minha filha Rebecca! Se ela conseguir ser ao menos ¼ do que é o Tejon, terei a plena certeza de que eu consegui ser uma mãe inteligente e FELIZ!


O berço de toda liderança está na infância. O ser humano é um projeto que não vem pronto. É verdade que trazemos uma carga e um potencial genético, porém o entorno, a comunidade, os valores, o ambiente de maior aprimoramento evolutivo permitem transformações e ganhos no tempo de uma vida útil. Os estudiosos todos, com os quais me aconselho nessa dificil arte de liderar e de criar líderes, são unânimes : ” líderes são criados desde o berço “. Uns dias atrás fui dar uma palestra na AACD – Asssociação dos Amigos das Crianças Deficientes.  Claro que aproveitei para levar minha filha Luciana, de 13 anos de idade. La chegando, desde a portaria, indo pelos corrredores dessa nobre instituição, uma observação refletiu o realismo da vida: muito mais mulheres, mães, cuidando e levando suas crianças e parentes ao AACD, do que homens. Ou seja, parece que pais abandonam, e mães ficam ao lado desses seres especiais. Mas, o que mais me trouxe um premio espetacular por ter usado meu tempo e ir à AACD, foi na saida. Um carro da prefeitura que transporta pessoas deficientes abriu a porta. De um lado saiu uma mãe sorridente, alegre,  com altivez no espírito. Deu a volta no carro e começou a tirar a sua criança la de dentro. Brincava com ela, sorria. Parecia que ambas, mãe e filha estavam adentrando os estúdios da Disney, ou correndo para saborear o sorvete mais gostoso do mundo….. passaram por mim transmitindo tanta esperança , alegria e felicidade que essa energia me transpassou e permiti que se aninhasse dentro de minha alma como um dos códigos mais preciosos na criação de líderes sustentáveis no planeta terra. O que forma líderes, desde a tenra idade dos berços, a grande inteligência – é a felicidade. Para termos pessoas felizes, elas precisam ser criadas por seres humanos felizes. A desgraça que um criador infeliz faz sobre suas crias significa, como regra, num resultado transfigurado para o mal, ainda que muitos transmutem esse sofrimento íntimo em busca de patrimônio, poder, fama, riqueza, status etc. O filme Cidadão Kane de Orson Wells, continua sendo um marco histórico para mim. Se voce ainda não o viu, alugue, vale cada instante. Nele voce vai descobrir o ” milagre de Rosebud “. Mães inteligentes criam filhos, ( vírgula ), felizes.


[José Luiz Tejon Megido]


José Luiz Tejon é publicitário, jornalista, autor e co-autor de 27 livros, como "O vôo do cisne", "A grande virada - 50 regras de ouro para dar a volta por cima" e "Luxo for all". É presidente da TCA Internacional, com parcerias na Europa, Estados Unidos, China e Israel.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

ESTÃO CRESCENDO!!!


Alegria de mãe babona: 

Desde Domingo, dia 31 de Julho de 2011, meus filhotes estão dormindo sozinhos!!!

É só auxiliá-los a escovar os dentes e vestir os pijamas, acompanhá-los até o quarto...
Depois que cada um está em sua caminha, dar um mega beijo de "boa noite", deixar o celular tocando músicas, apagar a luz e sair!





Trilha sonora para a hora do sono:


Turma do Cocoricó


" ... Quem canta não tem medo do escuro
Não tem medo de assombração.
Quem canta tem um coração tranquilo,
Dorme,oh oh
Ao som do baião,oh oh oh oh."


Baião Balão [Hélio Ziskind]



#tãocrescendo

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

MINUTOS MINÚSCULOS EXTREMAMENTE IMPORTANTES



Sexta-feira, dia 29 de Julho, foi o meu grande dia de peregrinação pela cidade de São Paulo. Por que peregrinação? Oras, imagine o percurso do Bairro de Pirituba até o Bairro do Ibirapuera. Mas detalhe: de transporte público, precisamente ônibus. Sim, ônibus, três linhas: 8538 – Correio / Freguesia do Ó, 917M – Ana Rosa / Morro Grande, 675N-10 Santo Amaro / Ana Rosa. Quase uns 200 km e umas 2h30min dentro de “busões”.
Todo este percurso para levar minha pequena Rebecca até o IAMSPEInstituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual - onde ela faz o tratamento para melhoria e redução das sequelas do acidente ocorrido quando ela era recém nascida (em outros posts explorarei o assunto).
Bom, acho que não preciso comentar o estresse que é. Além de longe e cansativo, tem o pequeno detalhe de estar levando uma criança de 03 anos, que não compreende exatamente o que está acontecendo, quer descer do ônibus a todo o momento e a todo o momento quer voltar para a casa. E eu me aguento como posso, já que se eu não tenho culpa de todo o transtorno, minha pequena menos ainda. E eu conto até 10, até 100, até 1000 se preciso for. E canto todo o repertório do Cocoricó e faço carinho e acaricio suas madeixas de mola e tento distraí-la mostrando a paisagem (maravilhosa por sinal: carro, mais ônibus, caminhão, fumaça, lixo na rua, gente estressada e por aí vai) e ligo o celular com as músicas preferidas dela e dou bala e a gente acaba trocando idéia com todos os passageiros – eita papel de mãe! Mas não importa, quando assumi essa responsabilidade, sabia que ser mãe = pagar mico + desistir de muitas coisas + pagar King Kong + sorrir ao final do dia.
Até me esqueci de falar dos olhares mórbidos e raivosos de todos que andam pela cidade de SP, sempre atrasados, sempre estressados, sempre de mal humor... os donos desses mesmos olhares não conseguem enxergar que você está com uma criança, não compreendem que uma criança tem naturalmente sua maneira de fazer as coisas mais lentamente e sem perfeição exatamente porque é uma criança e está na fase de aprendizagem, não deixam em hipótese alguma que você seja o primeiro ou muito menos que você tenha prioridade... preferencial? Hein? Que palavrinha é essa? Qual o sinônimo? Alguém abra o “pai dos burros” e leia em voz alta para mim, por favor... Ok, eu entendo! Não foi você quem fez? Não foi você quem pariu? Oras, agora se vira, problema seu! Na hora de fazer foi bom, né? Agora quer dar uma de coitada??? QUEM PARIU MATEUS, QUE O EMBALE, oras bolas!!!
E foi por estar tão cheia de ser massacrada com comentários desse tipo é que eu acabo querendo ser a Mãe Mulher Maravilha. Se pudesse, desceria do ônibus sem que ele precisasse parar, de preferência, sem nem solicitar ao motorista que abra a porta... sairia mesmo pela janela para não ver aqueles olhares de “Aff, vai logo! Que lerdeza!”. Corro, pago a passagem com o ônibus em movimento segurando minha Rebecca e tentando me agarrar nos balaústres... tá, uma vez ou outra uma alma franciscana tenta me ajudar segurando a menina ou pegando o famoso “Bilhete Único” para levá-lo ao cobrador, mas, às vezes, é mais fácil nascer asas em elefante do que esse tipo de ajuda aparecer. E aí é que eu tento superar Tirunesh Dibaba em velocidade: e dou sinal e jogo a Becca no colo e corro para perto do motorista e peço para ele parar no próximo ponto já explicando que descerei pela frente porém já paguei a passagem... ah, claro, tentando me equilibrar, já que muitas vezes é impossível segurar em algum lugar.
E, dessa vez, o que a Dona Rebecca Mariamne Santos Andrade me apronta???
E escorrega do meu colo e grita que sabe descer sozinha.
E lá vou eu enfrentando as leis da física: busão em movimento, corpo inerte e pega Rebecca no colo outra vez.
E ela se retorce, e grita e pede: “Deixa eu descer sozinha, mamãe!” – e escorrega novamente.
E eu me contorço e faço mágica (deixei de ser a Mãe Mulher Maravilha, agora sou a Mãe Mulher Elástico) e consigo prendê-la novamente entre os meus braços.
E com as lágrimas saem berros. E sinto olhos vermelhos e cuspindo fogo. “Além de atrasar toda nossa viagem ainda vai deixar essa criatura fazer barulho?” – pareço ouvir as pessoas falando em coro.
E eis que o ônibus para.
E os berros parecem aumentar.
O motorista me olha e pergunta calmamente: “O que foi, mãe? O que ela quer?”
Eu, com aquele sorriso amarelo, respondo: “Imagine... olha o tamanho e pensa que já é gente. Fica dizendo que sabe descer sozinha!”
E eu levo uma baita bofetada. E de luva.
“Ora, mamãe. Deixe que ela desça sozinha. Ela tá querendo te mostrar que já é mocinha. Pode não ser importante pra você, mas é muito importante pra ela!” – disse o motorista.
Só sinto minhas bochechas pegarem fogo. “Não, vai demorar muito!”
“Demorar quanto? 3 ou 4 minutos? Pode descer, linda, o tio espera! Mamãe, a gente perde muito mais tempo na vida com coisa inútil. Esse momento é de glória pra ela, acompanhe! Um dia você vai querer lembrar de momentos como esse e não vai conseguir exatamente porque não soube esperar... o que são 3 ou 4 minutos vendo essa coisa linda mostrando que é independente?”
Enquanto fiquei paralisada ouvindo o que aquele motorista me dizia, minha filha já estava colocando o primeiro pezinho na calçada. Muda, corri para acompanhá-la e desci também.
O motorista gargalhou e me disse solenemente:
“Aproveite e curta! Aposto que demorou muito menos do que você pensou! E guarde a recordação da primeira vez que ela desceu do ônibus sozinha... quando ela crescer, conte pra ela! Fica com Deus, mamãe! E cuida dessa princesinha!”
Ele acenou, fechou a porta e deu partida.
Eu fiquei ali, segurando a mãozinha da Becca com aquela minha famosa cara de tacho. Cara de tacho porque foi preciso um desconhecido dizer que são minúsculos momentos até menores que 3 ou 4 minutos que realmente são importantes... e a gente quase nunca enxerga isso.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

COMPREENSÃO


Talvez a maioria de nós, ou sejamos francos, todos nós já ouvimos e dissemos:"Ah, quanto exagero! São crianças e crianças não entendem! Crianças são assim... são crianças e pronto! Daqui a pouco ele(a) esquece!"
Pergunto a você: ao invés de mergulhar no mundo da criança, você já permitiu, alguma vez, que ela, ao menos, chegasse próximo ao seu?
Muito antes da decisão pela adoção pensei, estudei, observei pessoas criando seus filhos e cada jeito particular em educá-los. Pelo incrível que pareça, não sigo nenhum deles.
Na minha pobre opinião, a educação deve partir exclusivamente da CONFIANÇA. Se a criança confia em você, logo enxerga um amigo, um porto seguro. A criança precisa respeitá-lo e a criança só respeita aquele em que ela confia; e se respeita, obedece e compreende seus limites.
A cada dia que passa tenho a maior convicção de que isso realmente funciona. Em quase dois anos de vivência com meus filhos, já tive várias demonstrações de confiança que geraram compreensão e respeito.
A mais recente foi a da última semana, onde prometi levá-los ao Jardim Zoológico no sábado, imaginando que a metereologia continuaria firme como nos dias que antecederam o sábado.
E a sexta-feira chegou, com chuva, cinzenta e ao passar do dia a temperatura só caía. E na fé e expectativa de que tudo fosse melhorar, não queria pensar na hipótese de ter que cancelar o tão esperado passeio.
Cheguei em casa já no início da noite e, antes que o Biel e a Becca pudessem me seguir, fui acessar a milagrosa internet para ver a previsão do tempo. Mas não houve milagre. Para o dia seguinte havia previsão de garoa durante todo o dia e, ainda por cima, temperaturas entre 11ºC e 15ºC.
Então segui caminho até o quarto de brinquedos, ainda sem ter nada ensaiado para falar. Lembro-me de um agradável abraço conjunto e mil beijos pelas faces. Ouvia as risadas e assistia uma cena tão linda: sorrisos de canto a canto da boca, olhos brilhantes e aquela expressão ingênua de felicidade, aquela felicidade simples. natural, doce, leve, infantil, inocente. E, antes que meu coração ficasse mais apertado, comecei:
- Filhotes, a mamãe precisa conversar com vocês. É sobre o passeio ao Zoológico. Você notaram como esfriou? Hoje a vovó nem deixou vocês brincarem no quintal, não foi? Se o tempo continuar assim, vai acontecer a mesma coisa com os bichos do Zoológico: eles não vão sair de suas casas...
- A vovó não vai deixar eles irem no quintal também? - perguntou Rebecca desconfiada.
Não houve como prender minha gargalhada!
- Não, Becca. A vovó não manda nos bichinhos do Zoológico. Acontece que quando está frio ou chovendo eles não saem de dentro de suas casas para não ficarem dodóis. Eles preferem ficar quietinhos e quentinhos dentro da casinha do que passear no quintal. Aí o que acontece? A gente não consegue ver nenhum bichinho porque eles ficam escondidos.
O Gabriel olhou para os lados, ficando pensativo. (Adoraria saber o que se passava naquela cabecinha!)
- Então quer dizer que se amanhã o tempo não estiver bonito, calor e sem sol a gente não vai, mamãe?
- Isso, filhote! - meu coração em pedaços. - O que a gente vai fazer lá pra não ver nenhum bichinho?
- Mas e se a gente chama assim: "Oh, leão, vem aqui pra ver a Becca e o Biel! Ei, dona girafa, sai só um pouquinho pra gente te ver!" - indagava a Rebecca desesperada.
- Mas os animais não ententem o que a gente fala, amor!
Ambos abaixaram as cabeças e eu logo esperei lágrimas... mas não, mesmo com olhares decepcionados, ouvi o Gabriel dizer calmamente:
- Tá bom, mamãe.
- Aí a gente só vai quando tiver solzão e calor? - pergunta a Rebecca.
Suspirei fundo e procurei amenizar o choque da notícia:
- Vamos combinar assim: se amanhã, quando acordarmos estiver um dia bonito e com sol, nós vamos tá?
- Tá bom. - disseram os dois ao mesmo tempo, quase sorridentes.
E assim, dormimos.
No sábado, antes das 7 horas da manhã, estavam os dois aos pés da minha cama, despenteados e de pijama.
- Mamãe, o tempo tá bom?
O frio ainda permanecia no ar e o céu estava nublado, só não chovia. Não fomos ao Zoológico. E não houve cara feia, choro, escândalo ou gritaria, essas "coisas de criança". Eles ficaram ali, apertados, deitados comigo, na minha cama de solteiro, que nunca havia percebido o quanto era pequena.

Notaram que fiz com meus filhos? Eu poderia tratá-los como crianças, apenas crianças, que são assim mesmo. Poderia ter contato a eles uma história fantasiosa apenas para mostrar-lhes a possibilidade de passeio cancelado. Poderia ter mentido e, depois eles esqueceriam, exatamente porque são crianças e crianças são assim e pronto!
Eu preferi utilizar outro recurso e tratá-los como pequenos adultos. Numa relação, o diálogo não é a base para tudo? E é exatamente assim que lido com meu filhos. Diálogo. Diálogo e verdade. Desde que os conheci, coloquei em primeiro plano a verdade. Fiz uma promessa comigo mesma que jamais os trataria a base de qualquer mentira, por menor que ela fosse para eles. Tanto o Gabriel quanto a Rebecca enfrentarão grandes verdades daqui a alguns anos e o que desejo é que confiem em mim e me vejam não simplesmente como uma "mãe", mas, principalmente como uma verdadeira amiga. Como poderemos ter uma relação saudável, madura e de confiança se eu não começar agir assim desde o "nosso início"? 
E eu tenho esse cuidade diariamente, em todos os minutos do dia. Sim, Gabriel Yeshua e Rebecca Mariamne são crianças, mas eu posso aproximá-las ao meu mundo vagarosamente, impondo confiança. Confiança que só nos ajudará a crescer como pessoas; confiança que nos levará à compreensão, independente da situação.

terça-feira, 19 de julho de 2011

É TANTA COISA QUE MUDA DE VALOR



Chega a ser engraçado, mas conforme vamos crescendo, não apenas nossas idéias mudam. Principalmente os valores agregados à estas idéias.
Como o assunto é muito abrangente, vou resumir o conceito em datas. Exato, datas de comemoração!
Estamos lá, ainda criança e a data mais importante é o MEU aniversário, aí sim vem a Páscoa, O Dia das Crianças e, por fim, o tão esperado Natal. Por que são tão importantes tais datas? Oras, o simples fato de ter festa, bolo, doce e, é claro, PRESENTE!!!
E vamos crescendo e lá se vão algumas mudanças: claro, o MEU aniversário não muda, ainda é a data mais importante! Sim, continua a Páscoa e o Natal. O Dia das Crianças de repente, fica constrangedor.
Mais alguns anos se passam e lá vamos nós: sim, o MEU aniversário não muda, mas tem o Dia dos Namorados, o aniversário do namorado, uma semana de namoro, um mês de namoro, a Páscoa, o Natal e, é claro, um ano de namoro!
Foi exatamente o que você pensou: o MEU aniversário não muda, nem o aniversário do namorado, muito menos o aniversário de namoro, quem diria o Dia dos Namorados! Ah, sim, ainda existe a Páscoa e o Natal!
Sim, namoro consolidado! O MEU aniversário, o aniversário do namorado, muito menos o aniversário de namoro, quem diria o Dia dos Namorados e agora tem a Data do Noivado... quase esqueci, Páscoa e Natal!
Agora é fase quase definitiva: O MEU aniversário, o Aniversário de Casamento, o aniversário do agora marido, sim, o Dia dos Namorados (seremos eternos namorados) ops, ah Páscoa e Natal!
Aí entramos em fase definitiva: O MEU aniversário não muda, tem o Aniversário de Casamento, o aniversário do agora marido, aniversário do filho, Dia das Crianças volta ao seu calendário, ah, quando possível, o Dia dos Namorados quando dá tempo... e sim, não dá pra fugir da Páscoa e do Natal!
Claro, nesse meio toda ainda sobra um tempinho pro aniversário da mãe, do pai, do sogro, da sogra, da cunhada, da irmã, do cunhado e do irmão... mas eles serão esquecidos aos tempos porque os novos integrantes da família não permitem serem concorrentes.

E toda a dissertação pra quê?

Claro, pra falar de mim, de tanta coisa que mudou de valor. Não existe mais o MEU aniversário nem Páscoa, Dia das Crianças ou Natal. Muito menos o aniversário de casamento ou do marido.

Neste momento de minha vida, eu só tenho 4 datas a comemorar, em ordem de acontecimento:

17 de Dezembro - Dia em que conheci meus filhos no abrigo;
23 de Dezembro - Aniversário do Gabriel Yeshua e data em que meus filhos vieram para meu lar;
11 de Maio - Aniversário da Rebecca Mariamne;
25 de Outubro - Data em que registrei ambos em meu nome, ganhando "Certidão de Nascimento", com sobrenome Santos Andrade


Existem datas que, de tão próximas, me fazem lembrar outras, como:

23 de Dezembro - aniversário do meu Biel, antevéspera de Natal, logo, MEU presente;
11 de Maio - aniversário da minha Becca, muito próximo ao Dia das Mães, óbvio, MEU presente;
25 de Outubro - data em que eles ganharam os novos nomes e um sobrenome, antevéspera do meu aniversário... MEUS PRESENTES.

Agora, em minha vida, só existem essas 4 datas e, independente do que cada uma delas represente eu só sei comemorar uma coisa:

A enorme satisfação por amá-los e a dádiva de ser mãe. Porque eles são TUDO na minha vida!!!



segunda-feira, 18 de julho de 2011

UM PORTO, UMA BAÍA, UMA ENSEADA *



Você já teve a oportunidade de visitar um abrigo para crianças e/ou adolescentes? Teve ao menos a vontade/curiosidade de conhecer esse tipo de instituição? Nunca quis saber como funciona, é organizado ou qual o ambiente atrás das paredes que o cercam?
Estou aqui, como mãe adotiva, e desejo compartilhar o quanto é maravilhoso tirar um dia, ou uma manhã ou tarde, quem sabe algumas horas só para visitar, conversar e interagir com crianças que estão aos cuidados do abrigo.

Entendo perfeitamente o que se deve passar agora em sua mente: "Mas deve ser um lugar muito triste, sobrecarregado com energias ruins, mórbido, estressante, crianças revoltadas e magoadas; deve partir e doer muito o coração." 

Sim, eu tinha essa mesma idéia até que não tive como fugir: um dos passos para o processo de adoção era conhecer meus possíveis filhos (hoje definitivos). E, acreditem se quiser, eu já saí de casa aos prantos, sabendo que veria coisas que me chocariam porque não fazem parte do meu cotidiano. Levei 2 caixas de lenços e, por garantia, toalhinhas de mãos (de pano) aos montes.

Para meu espanto, cheguei ao abrigo e não ouvi gritos... o silêncio reinava naquele sobrado. Toquei a campainha e fui atendida por uma funcionária muito simpática que me recebeu feliz, com sorriso nos lábios (como não quero expô-la, vou apenas chamá-la de Sra S). A Sra S me abraçou e me convidou para conhecer as instalações. Gente, que graça! Na parte externa brinquedos como "gira-gira", balanço, gangorra, trepa-trepa e muitas bicicletinhas, triciclos tanto para meninos quanto para meninas. Tudo em boas condições de uso, limpos e organizados. Fui para a recepção, que também me encantou. Fotos das crianças espalhados pelos quadros de avisos, brinquedos feitos à mão... depois que apresentei minha documentação, a Sra S me convidou para descer até a cozinha, salas e dormitórios. Meu coração bateu a mil... chegara o momento! Então deparei-me com um senhor de idade, o cozinheiro, que preparava tudo com muito carinho - outra simpatia de pessoa. E aí já comecei a ouvir as crianças brincando, correndo...

Enquanto eu esperava que fosse preparada a salinha para que eu ficasse a sós com as crianças que eu deveria conhecer, claro, as demais se aproximaram de mim, me chamando para brincar, pedindo abraços, se 
apresentando...


Então decidi me sentar ao chão, me apresentar e pedir que cada uma dissesse seu nome e me desse um beijo e um abraço. Jamais esquecerei o brilho nos olhos de cada um deles... e o melhor: o sorriso de aceitação.

Claro, não vou mentir e dizer que uma criança ou outra pergunta: "Você vai me levar? Você vai ser minha mãe?"

Sim, é dolorido ter que dizer não, mas é sim uma realidade.

Não vou negar que existem crianças com problemas mentais, fora da realidade ou outras com cicatrizes de agressão feitas pelos próprios pais. Claro, sem contar as cicatrizes emocionais que algumas, principalmente as maiores, carregam em suas expressões, olhares.

Mas eu fiz um balanço e, para minha surpresa, o local é muito mais do que a gente espera. Há sim carinho, proteção, amor, cuidados, educação. As pessoas que trabalham nessas unidades tem um coração gigantesco para acolher cada um deles, eu acredito firmemente. Não vou fechar os olhos e dizer que não existe aquela velha massa podre que está ali por estar, sem interesse algum em agregar algo sócio ou educativo à essas crianças. Mas eu não vou me render a esta massa podre.

Então aproveite meu post e tome coragem. Programe uma visita!

Não, não é necessário levar nada, mas promova uma atividade! Leve um livro com contos... algumas folhas de sulfite e giz de cera e pinte com eles... isso é o máximo! Quer mais integração? Compre um pacote de bexigas - essas de festinhas infantis - e distribua, ajude-os a enche-las e brinque com eles! Tem filhos? Leve-os... mostre às crianças do abrigo que elas não são diferentes, permita que elas se enturmem com seus filhos e eleve a auto estima delas.

Não, caro leitor, não custa absolutamente nada e o retorno é garantido em 100%. Quer fechar com chave de ouro? Abra um pacote de balas e jogue-as pro ar... brinque como se fosse uma criança também.
Tome coragem, permita-se descobrir uma experiência nova. Conheça novas pessoas. E conhecer crianças é muito bom. A criança ainda é inocente. Quem a transforma somos nós mesmos, a sociedade.

Caso você um dia vá, depois volte aqui e me relate sua experiência. E me confesse se sua alma ficou ou não muito mais em paz, se você saiu de lá um ser renovado, diferente e com outra visão sobre determinadas coisas.

"Ninguém é tão grande que não possa aprender, 
nem tão pequeno que não possa ensinar." [Esopo]

* P.S.: Este foi o significado que encontrei no dicionário para a palavra "abrigo"