quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A HISTÓRIA DE UMA TAL ELAINE

Vou começar a contar, aos poucos, como foi o processo de adoção pelo qual passei. Não quero me apegar à uma sequência cronológica, mas sim aos fatos marcantes, sensações, dúvidas, medos e tantos outros sentimentos que senti. É o que verdadeiramente importa e que desejo compartilhar com vocês que tem lido minhas postagens neste blog.
Talvez eu não consiga descrever detalhadamente cada situação até porque quando tudo começou a acontecer, fiquei fora de mim, angustiada, surpresa e perdida como se, de repente, eu vivesse uma outra vida que não era minha (eu não estava pronta para tudo tão rápido), mas, quero que saibam que todos os fatos relatados são reais.
Bom, vamos lá... boa diversão!


"Era uma vez uma garota chamada Elaine, que, como todas as outras garotas tinha alguns sonhos. Porém, diferente de muitas garotas, ela não sonhava com fadas, príncipes encantados nem castelos; o sonho dela era bem diferente.

Conta a história que desde os 8 anos de idade, essa tal de Elaine, vivia falando para mãe dela que nunca a deixasse engravidar (como se ela fosse responsável por isso) porque nunca, jamais, ela queria ter um filho... ela queria cuidar de uma criança que não tivesse casa nem pai ou mãe nem roupas ou comida. Como era de se esperar, a mãe dessa tal Elaine, uma tal Dona Flor, ouvia a menina, sorria e esquecia! Oras, era coisa de criança!

E a Elaine foi crescendo. Sempre com muitas dificuldades. Nada era fácil para ela.

Quando a tal Elaine completou 13 anos começou a passar por problemas da idade: a não aceitação social. E isto fez dela uma garota muito introspectiva; tinha vergonha e medo de tudo e todos. Não demorou muito e ela foi diagnosticada com depressão. Foram feitos 5 anos de terapia até que descobriu-se que não eram distúrbios emocionais. E ela foi encaminhada para psiquiatria, onde começou um tratamento a base de calmantes e antidepressivos porque seu cérebro não produzia a quantidade mínima de serotonina.

Mas isso não fez com que a tal Elaine deixasse de lutar. Concluiu o Ensino Médio, que naquela época era o colegial. Mas aí o destino pregou outra peça: ela ficou observando à distância seus colegas de sala irem para faculdades e ela teve que ficar à distância, já que seus pais não tinham condições para pagar seus estudos universitários.

E ela foi à luta... entre um emprego e outro, finalmente conseguiu um que lhe pagava exatamente o valor da mensalidade em um universidade... e ela não hesitou: fez vestibular, passou e matriculou-se. E todos à sua volta diziam: "Vc é louca! Vc nunca via conseguir!"

Realmente ela foi louca... durante 4 anos ela não comprou roupas nem sapatos... tudo que ganhava era para pagar a faculdade. Longos 4 anos que pareceram 4 décadas. Mas ela conseguiu! No último ano da Faculdade conseguiu estágio em uma multinacional e a remuneração era um pouco mais que a mensalidade... aí, aos poucos, ela foi trocando as roupas velhas e surradas por terninhos e os tênis totalmente gastos por sapatinhos de salto. Ela conseguiu até fazer formatura!

Passado seis meses de estágio, logo ela foi efetivada e começou a ter um salário melhor, claro, não alto já que estava começando na área. Mas, desde então ela logo pensou: agora é a hora de começar uma poupança porque eu vou adotar 2 crianças. E preciso falar? Lá veio todo mundo novamente: "Você é louca! Nunca vai conseguir!" Mas ela fingia não ouvir e seguia o seu caminho.

E ela decidiu especializar-se para poder pleitear um cargo melhor com salário melhor... e encarou a pós graduação, que, era praticamente 85% do seu salário. E mais vozes: "Você é louca! Nunca vai conseguir!"...


E ela conseguiu. Especializou-se e conseguiu um novo cargo numa outra empresa, apesar de 100% nacional, muito maior do que a multinacional.

"Agora é hora de comprar meu terreno e começar a construir minha casa para receber meus filhos."

E assim foi: juntou dinheiro, comprou o terreno. Começou a comprar o material e a construir seu "Home Sweet Home".

"Então, a hora é essa! Como a adoção leva em média 4 anos para acontecer, vou dar entrada em todo o dossiê. Quando as crianças chegarem, minha casa já estará pronta!"

E mais vozes: "Você é louca! Nunca vai conseguir! Adotar 2 crianças e ainda por cima solteira??? Loucura! Se com um pai já é difícil, imagine sozinha!"

E, como se imaginava, ela não deu ouvidos. Procurou informações no Fórum, entregou todos os documentos solicitados, passou por entrevistas e reuniões com assistentes sociais e psicólogas até que em Março de 2009 recebeu aprovação.

E a vida, aquela caixinha de surpresas, deu um duro golpe na Elaine. Em Junho de 2009 ela foi demitida porque o seu departamento passou por reestruturações.

Apesar da tristeza, ela não baixou a cabeça. Claro, a dosagem dos medicamentos precisaram ser aumentadas, mas as coisas continuaram seu fluxo. Entrega CV aqui e acolá, faz entrevista e nada! 

Eis que, em Dezembro de 2009 (ainda desempregada) e exatamente 9 meses depois da aprovação da adoção, o Fórum ligou e disse que tinha um casal de irmãos para que ela os conhecesse e decidisse se queria ou não ficar com eles. Ainda na dúvida (ainda estava desempregada e a casa sem terminar) ela foi conhecê-los num dia 17 de Dezembro."

Continua...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

VALIDAÇÃO


Poder do Elogio e da Positividade




São quase 15 minutos de vídeo, mas vale a paciência.
Ao final você deve emocionar-se e apenas... S.O.R.R.I.R.


SEMANA DO FILHO


Eu queria que esse vídeo fosse apresentado a um único casal em todo mundo. 
Eu queria poder olhar nos olhos deles e dizer: 
"Vocês fizeram exatamente o mesmo com aqueles que deveriam defender. Conseguem, todos os dias, dormir tranquilos sem pensar nas marcas físicas e psicológicas que deixaram gravadas para o resto das vidas de 2 crianças?"


Mas antes de se ter um filho é preciso saber e querer ser PAI/MÃE. 

Pais e mães não fazem isso!

ALGUMAS CRIANÇAS QUERIAM QUE SEUS PAIS FOSSEM ANIMAIS


Eu poderia escrever mil palavras.
Da mesma maneira que fiquei com um nó na garganta assistindo esse vídeo, assim também não consegui organizar os pensamentos para escrever.

Hoje, meu silêncio diz tudo!


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

AOS MESTRES (VERDADEIROS) COM CARINHO


O que vou compartilhar aqui hoje talvez não seja nada tão fora do comum. Na verdade minhas postagens nunca foram e nem tem a pretensão de serem fora do comum. Neste pequeno diário eu compartilho experiências de uma mãe de primeira viagem, do dia para a noite. Nada espetacular... mas são momentos simples que sempre deixamos de lado... mas eu ainda acredito naquela velha filosofia de que importantes mesmo são os momentos mais simples!

Meu filhote Gabriel e eu escovávamos os dentes juntos, nos preparando para dormir (na verdade ele, porque eu ainda tinha e tenho muitas coisas a fazer). Inesperadamente ele cospe a espuma da boca na pia, desce da cadeira e abraça minhas pernas. Olhei para baixo e logo percebi que estava bem prestes a participar de um momento mágico para ele. Como eu sei? Oras, aquele sorriso ainda cheio de creme dental, aqueles olhinhos pequenos que brilhavam quase ao ponto de me cegar e aquela lágrima sutil de felicidade que se formavam no canto não poderiam expressar outra coisa a não ser um momento fantástico para ele!

- Obrigado, mamãe! Eu amo muito a minha escolinha!

Caros, convenhamos, aquele "obrigado" não foi para mim... sei que ainda está longe o dia 15 de Outubro, onde se comemora o dia do Professor, mas essa foi a prova de que devemos comemorar, agradecer ao profissional de educação todos os dias. Aqui, pelo menos por agora, quero esquecer aquele "professor" que deixa de cumprir esta tão nobre função que é educar. Quero pensar nos profissionais que fazem suas tarefas todos os dias, assim como minha irmã, porque amam e porque ainda acreditam no futuro, por mais obscuro que ele pareça. Quero agradecer cada profissional que está na área da Educação com sua dedicação, carinho e amor, por mais difícil que possa parecer.

Nós mães às vezes não nos damos conta do quanto é importante, marcante e significativo o período que nossos filhos passam na escola. E digo, com toda certeza do mundo, eu, que tive oportunidades de ter uma boa educação, cursar graduação e pós, não teria talento mínimo para educar meus filhos sozinha! É uma tarefa em conjunto! Fico triste por lembrar que os valores estão cada vez mais invertidos e que a cada dia mães e pais acham que é "obrigação" da escola e dos professores educarem seus filhos. E não falo do ensino privado ou público. Noto isso independente das classes sociais.

Então, este post fica como agradecimento e homenagem à professores, psicólogos, psicopedagogos, pedagogos, coordenadores de educação, administradores da educação, assistentes de sala, merendeiras, inspetores e mais uma porção de profissionais que estão ligados à educação. Claro, aos verdadeiros! Aos que não se corromperam!

Em especial às professoras e amigas do meu filho Gabriel Yeshua, "Pro Vera e Pro Ozana".

domingo, 21 de agosto de 2011

TRÂNSITO E VIDA


Hoje deixarei um vídeo aqui. Apenas um vídeo, mas que pode dizer muita coisa.




Trânsito e Vida


Só quero compartilhar com vocês porque o que é bom precisa proliferar na mesma rapidez e proporção que ervas daninhas.


Fiquem e estejam com Deus!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

FINAL DE NOITE


É tanta coisa se passando pela minha cabeça, que às vezes eu acabo por dar importância à coisas tão insignificantes que nem me dou conta. Ao menos tenho tido boas oportunidades de notar e admitir essa falta de tolerância e, na maioria das vezes, consertá-las.
Ontem foi um dia tenso em todos os sentidos - mas não vou me aprofundar nos meus tumultos cotidianos - e foi automático que eu repassasse certas emoções ao meus pequenos filhotes.
Praticamente passei o dia aos berros, sem paciência, exigindo deles posturas e atitudes tão ou mais adultas que as minhas. Parece que meu senso de realidade não enxergava que são crianças que não chegam nem aos 5 anos de idade.
E parece que quanto mais a gente briga, esbraveja, grita, mais as coisas ficam difíceis de serem controladas. Assim, ao chegar o fim da noite, eu estava cansada, apática, irritada e com uma grande angústia a corroer-me a alma.
Estão os dois de pijamas e dentes escovados.
Enquanto subimos as escadas, a Rebecca pede:
- Mamãe, conta uma historinha hoje?
Preciso falar que minha resposta foi não? Áquela altura eu só queria vê-los dormindo para poder descansar. Mas não me contive em dizer apenas não: expliquei o motivo.
- Hoje vocês não merecem! Desobedeceram muito a mamãe. Eu precisei pedir mil vezes pra vocês ficarem quietos. E vocês não me ouviam de jeito nenhum. Então hoje vão ficar sem historinha.
Pelo incrível que pareça, não houve lamentação. Ambos deitaram quietos. Cobri a pequena, dei um beijo e um abraço de boa noite. Antes que eu pudesse cobrir o Biel, ele senta e me olha:
- Desculpa, mamãe. A gente não vai mais fazer isso! É que o dia estava tão legal. Teve macarrão na escolinha que eu adoro muito. Depois a vovó chupou cana com a gente. Eu brinquei de bola com a Bebecca. A gente foi na casa da tia Cheche. Eu estava muito feliz e por isso não queria ficar quieto. Eu não queria que a noite chegasse. Desculpa por ter deixado você tão triste.
Toma, Elaine, outra bofetada! Ali, vendo aqueles olhinhos me pedindo perdão, eu enxerguei o quanto fui ignorante. E aqueles mesmos olhinhos me pediam paciência, porque são crianças. Meu Deus, meu filho curtindo o dia, sentindo felicidade e o que foi que eu fiz? Gritei, gritei, gritei. E por quê? Porque ele não parava de pular ou porque enrolou um pouco mais para tomar banho... porque esperou que eu repetisse 3 vezes que era para abandonar o quintal e entrar ou porque estava comendo devagar porque gargalhava com a irmãzinha na mesa.
Ai, que vontade de bater com a cabeça na parede. A bofetada imaginária que eu levava doía nas duas faces. E eu só consegui permanecer em silêncio, com vergonha da minha estupidez.
Abracei-o e apaguei as luzes.
Entrei no meu quarto e uma lágrima grossa e quente ardeu em meu rosto.
Ah, não perdi a oportunidade... corri na estante, peguei um livro e corri falando alto:
- A história de hoje é da "Galinha Sem Ovo Na Boca do Povo"...
Sei que não consertei tamanho estrago, mas, ao menos, tentei remendar.

domingo, 14 de agosto de 2011

PAI?


O dia que se comemora hoje sempre foi uma das datas mais amargas para mim.
Durante uns 2 ou 3 anos eu tentei mudar. Em conjunto com minha irmã, comprei presente, entreguei, fingindo que havia esquecido tantas cenas ruins que estavam na minha memória, colocando um sorriso frio e amarelo na face e mentindo pro meu coração que as chagas já estavam fechadas e cicatrizadas. Mas de nada adiantou... assim como nunca consegui dizer "Feliz Dia dos Pais" também nunca ouvi um "Obrigado, filha".

E para deixar o meu dia mais amargo e intolerável presenciei uma cena que realmente me machucou muito mais que deveria. Sei o quanto fui egoísta naquele momento, mas não vou negar que ao ver meu pai brincando de esconde-esconde com meus filhos hoje, entre gargalhadas, abraços e beijos, eu rebobinei automaticamente um vídeo de recordações. O incrível é que não consegui encontrar nenhuma imagem que fosse, ao menos, parecida.  O que me veio à memória foi um momento de agonia, que eu corria atrás de um homem que na verdade eu nem conhecia (porque não parecia meu pai nem tinha comportamento de pai), pedindo e chorando para ele não jogar a tv de 12" no meio do quintal porque eu gostava de assistir o "Balão Mágico".

Já admiti que fui egoísta. Sorte dos meus filhos por terem um momento tão gostoso e divertido. Sorte a do meu pai que finalmente está podendo ser pai com netos. E azar o meu que não tenho como resgatar esse momento. Mas fechei os olhos e, chorando, muito magoada falei com Deus: "Obrigada, Senhor, por esse momento na vida do Gabriel e da Rebecca. Obrigada por eu estar conseguindo dar a eles tudo que não tive e que talvez eles nunca teriam. Só eu sei o quanto isto é importante para a formação psicológica deles."

Existem lacunas, espaços vazios, campos em branco na história da minha vida... e o maior espaço está exatamente no período de infância. Não me lembro de uma presença masculina ou um símbolo de "pai". Acabo de revelar aqui o porquê da minha decisão em ser mãe solteira... para mim só importa mesmo mãe. E eu quero ser exatamente aquilo que minha memória gravou: uma mãe-pai.

Segue agora um texto muito antigo que escrevi... mas eu ainda não mudo uma palavra...

Eu sou seu espelho
Eu sou a semente que você plantou
E se esqueceu de regar.

Você me transformou
Não permitiu que eu evoluísse
Me trancou dentro de mim
E mesmo assim todo o problema é meu.

Me fez acreditar que todos eram como você
E eu me choco ao encontrar emoções
A minha e a sua frieza me machucam
E eu não queria tê-la.

Cada vez mais eu desço
E tento encontrar uma parte minha
Porém tudo que encontro é seu
Eu já não tenho mais forças
Para sair do meu corpo
Meus olhos, minha boca,
Minhas mãos, meu coração
Estão trancados
E você destruiu as chaves.

Sou ainda tão jovem
E já tão cansada da vida
Porque eu me perdi
Eu perdi minha vida para você.

Você não deixou que eu experimentasse
Me afastou, me prendeu
Me matou e não percebeu.

Não quero o fruto do seu trabalho
Não falo de dores físicas
Mas o que é um relacionamento sem relacionamento?
Você me fez adulta antes do tempo
                                 
E eu perdi minha pureza
Agora só tenho o medo de sentir medo
E uma pessoa dentro de mim
Que não conheço.

25/11/97
13h22min

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

DOAÇÕES PARA O ABRIGO CASA LUZ



É mãe ou pai? Tem filhos de 0 a 7 anos?
Por que não aproveita o fim de semana para separar aquelas roupinhas que seus filhos não usam mais e você não sabe o que fazer?
Cooordeno uma "campanha", sem datas especiais, ou seja, essa campanha perdura o ano todo, para arrecadar roupas, calçados e brinquedos para doar ao Abrigo Casa Luz, onde conheci meu anjo Gabriel e minha jóia Rebecca.

NÃO É O ABRIGO QUE PEDE; FAÇO A CAMPANHA ESPONTANEAMENTE.

O Abrigo Casa Luz vive de doações e cuidam de crianças de 0 a 7 anos que foram retiradas dos pais por abusos, maus tratos ou violência doméstica e, motivos de segurança, não pode divulgar endereço e telefones, já que as crianças que estão lá foram retiradas dos pais e não abandonadas, logo temem que os pais queiram ira ao abrigo para resgatá-los.

Mas se você quiser conhecer ou ter informações, é só me comunicar, que eu os levo lá pessoalmente! Obrigada!

Caso queira participar desta "campanha", entre em contato que eu mesma recolho as doações. O contato pode ser feito e-mail: mae.adotiva@hotmail.com.

Aproveite para ler um texto do meu blog, que falo sobre a experiência de conhecer um abrigo!

http://diariodeumamaelegal.blogspot.com/2011/07/um-porto-uma-baia-uma-enseada.htm

terça-feira, 9 de agosto de 2011

DIA DOS PAIS E A FORÇA DA PROPAGANDA!



O que vou postar hoje aqui é super recente! Aconteceu ontem a noite... dessa vez, coisas do meu Biel...

Tá chegando o Dia dos Pais. Não pense você que estou preocupada porque tenho que sentar e "inventar" uma historinha qualquer para o Gabriel (não envolve a Rebecca que é menor e nem liga para o fato) falando sobre pai. 

Não, não enganei, não engano e jamais me prestarei a esse papel com meus filhos. Por mais dura que seja a realidade, é dentro dela que eles irão crescer. E o Gabriel já tem consciência que ele não tem pai. Não tem pai e ponto. Não tem pai e pronto! Pai é pai. Avô é avô. Desculpem-me aqueles saudosistas que vivem dizendo que "Avô é pai duas vezes" ou que "o avô representa o pai". Discordo em número, grau e gênero. Cada um dentro da família tem que assumir e desenvolver seu papel. E meu pai não é pai do Gabriel nem da Rebecca. Ele é meu pai. Ele é avô do Gabriel e da Rebecca.

Agora é diferente o meu discurso. Meu pai é avô do Gabriel e ponto. Meu pai não é pai do Gabriel e pronto! Meu pai é um homem, aquele que representa a figura masculina para o Gabriel, assim como meu sobrinho e meu cunhado, mas cada um no seu quadrado.

Já ensinei ao Biel que o pai dele é Papai do Céu. E que o vovô é um homem que vai ajudá-lo a se desenvolver e crescer como um homem. O vovô será um espelho no qual você irá se apoiar. Mas, não adianta, você não tem pai aqui. Você tem o melhor pai do mundo que é Papai do Céu.

Veja meu diálogo com ele:
- Não esqueça, se te perguntarem quem é o seu pai o que você responde?
- Que meu pai é Papai do Céu.
- E se perguntarem do seu avô...
- Ué, ele é o vovô, não é pai!
- E se perguntarem porque você não tem pai?
- Eu falo que minha mãe não é casada nem tem namorado. E se ela casar com um homem ele não será meu pai. Ele será meu amigo e "paidrasto".
-E se perguntarem como você nasceu sem pai?

- Ai, mãe... - a conversa já estava ficando chata para ele. - Eu falo que eu tenho um pai, mas o pai que eu conheço é Papai do Céu.

- E o que você vai fazer no Dia dos Pais se você não tem pai?
- Uuuuuuh, eu vou abraçar e beijar o vovô porque ele também é pai, mas é seu. E no Dia das Mães eu abracei e beijei você e a vovó porque a vovó também é mãe, mas é sua.
- Uau! Você aprendeu! Venha cá e me dê um abraço. - eu toda orgulhosa.

Depois do abraço misturado com um beijo ele ficou pensativo e falou:
- Mas eu queria dar um presente pro vovô no Dia dos Pais.
- E o que você quer dar?

Gente, ouvi uma resposta mais que inesperada. Ouvi o pedido, fiquei estática. Senti vontade de rir, e muito, mas me contive. Automaticamente meu sangue de marketeira ferveu em minhas veias e eu notei o poder da propaganda e do marketing. Eu, como profissional, sempre considerei a propagando do produto que o Biel pediu a mais grotesca, mal produzida... resumindo péssima! Sem contar que há anos é a mesma. Notem: não estou avaliando o produto, estou falando da propaganda!

Propagando feia, trash, horrível, barata, chega a ser ridícula, mas não é que a empresa conseguiu alcançar um público? Porque eu, marketeira que sou, tenho certeza que isso não se passou apenas pela cabeça do meu filho, que é de classe C ou D. Muitas crianças devem ter pensado o mesmo que meu filho.


Acreditem se quiser, mas meu filho quer presentear o avô, por ser pai e não por ser pai dele com um refrigerante Dolly.


  E agora você, sendo profissional da área ou não, me responda:
Mesmo que a gente considere o produto ruim ou de qualidade média, a empresa conseguiu ou não conseguiu ser uma marca muito lembrada?
Meu filho poderia ter pedido uma Coca-Cola, uma Sukita, uma Fanta, uma Pepsi, uma Sprite ou qualquer outro produto renomado.
Mas não, quem entrou na cabecinha dele foi a Dolly.
E eu te pergunto, por quê?

Se você tem uma opinião do motivo pelo qual meu filho escolheu Dolly, deixe no comentário.

Eu tenho um ponto de vista, mas adoraria ler o seu!

Abraços 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

SACOLA PARA MÃO


 Eu, que sou cabeleireira particular da minha mãe, mas só para pinturas, tive um momento de estresse que ao mesmo tempo me levou a um momento seguido de boas gargalhadas.

Como vocês já sabem, tenho uma filha de 03 anos, a Rebecca ou Becca ou Bebecca. E ela é muito, mas muito sapeca e curiosa! Quer aprender tudo e ao mesmo tempo! Não se contenta em ver, precisa pegar, tocar, sentir... e, é claro, não foi diferente com o "kit tintura". Pegou os pincéis e a tigela, colocou na boca, lambeu... só não fez o mesmo com a água oxigenada e o tubo de tinta porque, óbvio, estavam sobre a geladeira.

Minha mãe já estava pronta e à minha espera, sentada e com aquela expressão de impaciência. Então, decidi acelerar o processo.

Primeiro passo: colocar as luvas de polietileno descartável, ou seja, as luvinhas de plástico. E procuro e procuro e procuro.... tolice a minha, só poderia estar com a Rebecca, lógico! E começa o corre-corre pela casa...

- Rebecca, me dá isso aqui!
- E as palavrinhas mágicas? - esse é o mal de sempre ensinar o certo... quando a gente dá uma gafe, leva uma bela bofetada
- Tá bom, Rebecca, me devolva a luva, por favor!!!
Ela parou, olhou para as mãos. Calmamente começou a retirá-las e me respondeu, com ar muito arrogante:



"- Oras, mamãe. Isso não é "liuva"*. Isso é sacola para mão!"

Diante da declaração, não me restou parar, olhar para minha mãe e soltar um gargalhada alta e gostosa!

O argumento dela era incontestável, afinal de contas o material é idêntico ao de sacolinhas de supermercado, mas aquelas sacolas eram para as mãos.

Crianças. Que maravilhas tê-las em nossa companhia!
Crianças. Uma pena que cresçam...







* Liuva: apesar dos 3 anos, algumas palavras ainda são mal pronunciadas, como é o caso de "luva", que se torna "liuva".
  

domingo, 7 de agosto de 2011

MÃES INTELIGENTES CRIAM FILHOS, FELIZES

Li o texto e logo me identifiquei. Tenho certeza que você que também é mãe, sentirá o mesmo que eu! 
Eu, fã que sou do Tejon, não apenas pela sua Cabeça de Líder (tive a honra de conhecê-lo quando trabalhava no Grupo O Estado de São Paulo) não posso deixar de compartilhar que ele será um enorme exemplo de vitória, superação e sabedoria para minha filha Rebecca! Se ela conseguir ser ao menos ¼ do que é o Tejon, terei a plena certeza de que eu consegui ser uma mãe inteligente e FELIZ!


O berço de toda liderança está na infância. O ser humano é um projeto que não vem pronto. É verdade que trazemos uma carga e um potencial genético, porém o entorno, a comunidade, os valores, o ambiente de maior aprimoramento evolutivo permitem transformações e ganhos no tempo de uma vida útil. Os estudiosos todos, com os quais me aconselho nessa dificil arte de liderar e de criar líderes, são unânimes : ” líderes são criados desde o berço “. Uns dias atrás fui dar uma palestra na AACD – Asssociação dos Amigos das Crianças Deficientes.  Claro que aproveitei para levar minha filha Luciana, de 13 anos de idade. La chegando, desde a portaria, indo pelos corrredores dessa nobre instituição, uma observação refletiu o realismo da vida: muito mais mulheres, mães, cuidando e levando suas crianças e parentes ao AACD, do que homens. Ou seja, parece que pais abandonam, e mães ficam ao lado desses seres especiais. Mas, o que mais me trouxe um premio espetacular por ter usado meu tempo e ir à AACD, foi na saida. Um carro da prefeitura que transporta pessoas deficientes abriu a porta. De um lado saiu uma mãe sorridente, alegre,  com altivez no espírito. Deu a volta no carro e começou a tirar a sua criança la de dentro. Brincava com ela, sorria. Parecia que ambas, mãe e filha estavam adentrando os estúdios da Disney, ou correndo para saborear o sorvete mais gostoso do mundo….. passaram por mim transmitindo tanta esperança , alegria e felicidade que essa energia me transpassou e permiti que se aninhasse dentro de minha alma como um dos códigos mais preciosos na criação de líderes sustentáveis no planeta terra. O que forma líderes, desde a tenra idade dos berços, a grande inteligência – é a felicidade. Para termos pessoas felizes, elas precisam ser criadas por seres humanos felizes. A desgraça que um criador infeliz faz sobre suas crias significa, como regra, num resultado transfigurado para o mal, ainda que muitos transmutem esse sofrimento íntimo em busca de patrimônio, poder, fama, riqueza, status etc. O filme Cidadão Kane de Orson Wells, continua sendo um marco histórico para mim. Se voce ainda não o viu, alugue, vale cada instante. Nele voce vai descobrir o ” milagre de Rosebud “. Mães inteligentes criam filhos, ( vírgula ), felizes.


[José Luiz Tejon Megido]


José Luiz Tejon é publicitário, jornalista, autor e co-autor de 27 livros, como "O vôo do cisne", "A grande virada - 50 regras de ouro para dar a volta por cima" e "Luxo for all". É presidente da TCA Internacional, com parcerias na Europa, Estados Unidos, China e Israel.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

ESTÃO CRESCENDO!!!


Alegria de mãe babona: 

Desde Domingo, dia 31 de Julho de 2011, meus filhotes estão dormindo sozinhos!!!

É só auxiliá-los a escovar os dentes e vestir os pijamas, acompanhá-los até o quarto...
Depois que cada um está em sua caminha, dar um mega beijo de "boa noite", deixar o celular tocando músicas, apagar a luz e sair!





Trilha sonora para a hora do sono:


Turma do Cocoricó


" ... Quem canta não tem medo do escuro
Não tem medo de assombração.
Quem canta tem um coração tranquilo,
Dorme,oh oh
Ao som do baião,oh oh oh oh."


Baião Balão [Hélio Ziskind]



#tãocrescendo

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

MINUTOS MINÚSCULOS EXTREMAMENTE IMPORTANTES



Sexta-feira, dia 29 de Julho, foi o meu grande dia de peregrinação pela cidade de São Paulo. Por que peregrinação? Oras, imagine o percurso do Bairro de Pirituba até o Bairro do Ibirapuera. Mas detalhe: de transporte público, precisamente ônibus. Sim, ônibus, três linhas: 8538 – Correio / Freguesia do Ó, 917M – Ana Rosa / Morro Grande, 675N-10 Santo Amaro / Ana Rosa. Quase uns 200 km e umas 2h30min dentro de “busões”.
Todo este percurso para levar minha pequena Rebecca até o IAMSPEInstituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual - onde ela faz o tratamento para melhoria e redução das sequelas do acidente ocorrido quando ela era recém nascida (em outros posts explorarei o assunto).
Bom, acho que não preciso comentar o estresse que é. Além de longe e cansativo, tem o pequeno detalhe de estar levando uma criança de 03 anos, que não compreende exatamente o que está acontecendo, quer descer do ônibus a todo o momento e a todo o momento quer voltar para a casa. E eu me aguento como posso, já que se eu não tenho culpa de todo o transtorno, minha pequena menos ainda. E eu conto até 10, até 100, até 1000 se preciso for. E canto todo o repertório do Cocoricó e faço carinho e acaricio suas madeixas de mola e tento distraí-la mostrando a paisagem (maravilhosa por sinal: carro, mais ônibus, caminhão, fumaça, lixo na rua, gente estressada e por aí vai) e ligo o celular com as músicas preferidas dela e dou bala e a gente acaba trocando idéia com todos os passageiros – eita papel de mãe! Mas não importa, quando assumi essa responsabilidade, sabia que ser mãe = pagar mico + desistir de muitas coisas + pagar King Kong + sorrir ao final do dia.
Até me esqueci de falar dos olhares mórbidos e raivosos de todos que andam pela cidade de SP, sempre atrasados, sempre estressados, sempre de mal humor... os donos desses mesmos olhares não conseguem enxergar que você está com uma criança, não compreendem que uma criança tem naturalmente sua maneira de fazer as coisas mais lentamente e sem perfeição exatamente porque é uma criança e está na fase de aprendizagem, não deixam em hipótese alguma que você seja o primeiro ou muito menos que você tenha prioridade... preferencial? Hein? Que palavrinha é essa? Qual o sinônimo? Alguém abra o “pai dos burros” e leia em voz alta para mim, por favor... Ok, eu entendo! Não foi você quem fez? Não foi você quem pariu? Oras, agora se vira, problema seu! Na hora de fazer foi bom, né? Agora quer dar uma de coitada??? QUEM PARIU MATEUS, QUE O EMBALE, oras bolas!!!
E foi por estar tão cheia de ser massacrada com comentários desse tipo é que eu acabo querendo ser a Mãe Mulher Maravilha. Se pudesse, desceria do ônibus sem que ele precisasse parar, de preferência, sem nem solicitar ao motorista que abra a porta... sairia mesmo pela janela para não ver aqueles olhares de “Aff, vai logo! Que lerdeza!”. Corro, pago a passagem com o ônibus em movimento segurando minha Rebecca e tentando me agarrar nos balaústres... tá, uma vez ou outra uma alma franciscana tenta me ajudar segurando a menina ou pegando o famoso “Bilhete Único” para levá-lo ao cobrador, mas, às vezes, é mais fácil nascer asas em elefante do que esse tipo de ajuda aparecer. E aí é que eu tento superar Tirunesh Dibaba em velocidade: e dou sinal e jogo a Becca no colo e corro para perto do motorista e peço para ele parar no próximo ponto já explicando que descerei pela frente porém já paguei a passagem... ah, claro, tentando me equilibrar, já que muitas vezes é impossível segurar em algum lugar.
E, dessa vez, o que a Dona Rebecca Mariamne Santos Andrade me apronta???
E escorrega do meu colo e grita que sabe descer sozinha.
E lá vou eu enfrentando as leis da física: busão em movimento, corpo inerte e pega Rebecca no colo outra vez.
E ela se retorce, e grita e pede: “Deixa eu descer sozinha, mamãe!” – e escorrega novamente.
E eu me contorço e faço mágica (deixei de ser a Mãe Mulher Maravilha, agora sou a Mãe Mulher Elástico) e consigo prendê-la novamente entre os meus braços.
E com as lágrimas saem berros. E sinto olhos vermelhos e cuspindo fogo. “Além de atrasar toda nossa viagem ainda vai deixar essa criatura fazer barulho?” – pareço ouvir as pessoas falando em coro.
E eis que o ônibus para.
E os berros parecem aumentar.
O motorista me olha e pergunta calmamente: “O que foi, mãe? O que ela quer?”
Eu, com aquele sorriso amarelo, respondo: “Imagine... olha o tamanho e pensa que já é gente. Fica dizendo que sabe descer sozinha!”
E eu levo uma baita bofetada. E de luva.
“Ora, mamãe. Deixe que ela desça sozinha. Ela tá querendo te mostrar que já é mocinha. Pode não ser importante pra você, mas é muito importante pra ela!” – disse o motorista.
Só sinto minhas bochechas pegarem fogo. “Não, vai demorar muito!”
“Demorar quanto? 3 ou 4 minutos? Pode descer, linda, o tio espera! Mamãe, a gente perde muito mais tempo na vida com coisa inútil. Esse momento é de glória pra ela, acompanhe! Um dia você vai querer lembrar de momentos como esse e não vai conseguir exatamente porque não soube esperar... o que são 3 ou 4 minutos vendo essa coisa linda mostrando que é independente?”
Enquanto fiquei paralisada ouvindo o que aquele motorista me dizia, minha filha já estava colocando o primeiro pezinho na calçada. Muda, corri para acompanhá-la e desci também.
O motorista gargalhou e me disse solenemente:
“Aproveite e curta! Aposto que demorou muito menos do que você pensou! E guarde a recordação da primeira vez que ela desceu do ônibus sozinha... quando ela crescer, conte pra ela! Fica com Deus, mamãe! E cuida dessa princesinha!”
Ele acenou, fechou a porta e deu partida.
Eu fiquei ali, segurando a mãozinha da Becca com aquela minha famosa cara de tacho. Cara de tacho porque foi preciso um desconhecido dizer que são minúsculos momentos até menores que 3 ou 4 minutos que realmente são importantes... e a gente quase nunca enxerga isso.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

COMPREENSÃO


Talvez a maioria de nós, ou sejamos francos, todos nós já ouvimos e dissemos:"Ah, quanto exagero! São crianças e crianças não entendem! Crianças são assim... são crianças e pronto! Daqui a pouco ele(a) esquece!"
Pergunto a você: ao invés de mergulhar no mundo da criança, você já permitiu, alguma vez, que ela, ao menos, chegasse próximo ao seu?
Muito antes da decisão pela adoção pensei, estudei, observei pessoas criando seus filhos e cada jeito particular em educá-los. Pelo incrível que pareça, não sigo nenhum deles.
Na minha pobre opinião, a educação deve partir exclusivamente da CONFIANÇA. Se a criança confia em você, logo enxerga um amigo, um porto seguro. A criança precisa respeitá-lo e a criança só respeita aquele em que ela confia; e se respeita, obedece e compreende seus limites.
A cada dia que passa tenho a maior convicção de que isso realmente funciona. Em quase dois anos de vivência com meus filhos, já tive várias demonstrações de confiança que geraram compreensão e respeito.
A mais recente foi a da última semana, onde prometi levá-los ao Jardim Zoológico no sábado, imaginando que a metereologia continuaria firme como nos dias que antecederam o sábado.
E a sexta-feira chegou, com chuva, cinzenta e ao passar do dia a temperatura só caía. E na fé e expectativa de que tudo fosse melhorar, não queria pensar na hipótese de ter que cancelar o tão esperado passeio.
Cheguei em casa já no início da noite e, antes que o Biel e a Becca pudessem me seguir, fui acessar a milagrosa internet para ver a previsão do tempo. Mas não houve milagre. Para o dia seguinte havia previsão de garoa durante todo o dia e, ainda por cima, temperaturas entre 11ºC e 15ºC.
Então segui caminho até o quarto de brinquedos, ainda sem ter nada ensaiado para falar. Lembro-me de um agradável abraço conjunto e mil beijos pelas faces. Ouvia as risadas e assistia uma cena tão linda: sorrisos de canto a canto da boca, olhos brilhantes e aquela expressão ingênua de felicidade, aquela felicidade simples. natural, doce, leve, infantil, inocente. E, antes que meu coração ficasse mais apertado, comecei:
- Filhotes, a mamãe precisa conversar com vocês. É sobre o passeio ao Zoológico. Você notaram como esfriou? Hoje a vovó nem deixou vocês brincarem no quintal, não foi? Se o tempo continuar assim, vai acontecer a mesma coisa com os bichos do Zoológico: eles não vão sair de suas casas...
- A vovó não vai deixar eles irem no quintal também? - perguntou Rebecca desconfiada.
Não houve como prender minha gargalhada!
- Não, Becca. A vovó não manda nos bichinhos do Zoológico. Acontece que quando está frio ou chovendo eles não saem de dentro de suas casas para não ficarem dodóis. Eles preferem ficar quietinhos e quentinhos dentro da casinha do que passear no quintal. Aí o que acontece? A gente não consegue ver nenhum bichinho porque eles ficam escondidos.
O Gabriel olhou para os lados, ficando pensativo. (Adoraria saber o que se passava naquela cabecinha!)
- Então quer dizer que se amanhã o tempo não estiver bonito, calor e sem sol a gente não vai, mamãe?
- Isso, filhote! - meu coração em pedaços. - O que a gente vai fazer lá pra não ver nenhum bichinho?
- Mas e se a gente chama assim: "Oh, leão, vem aqui pra ver a Becca e o Biel! Ei, dona girafa, sai só um pouquinho pra gente te ver!" - indagava a Rebecca desesperada.
- Mas os animais não ententem o que a gente fala, amor!
Ambos abaixaram as cabeças e eu logo esperei lágrimas... mas não, mesmo com olhares decepcionados, ouvi o Gabriel dizer calmamente:
- Tá bom, mamãe.
- Aí a gente só vai quando tiver solzão e calor? - pergunta a Rebecca.
Suspirei fundo e procurei amenizar o choque da notícia:
- Vamos combinar assim: se amanhã, quando acordarmos estiver um dia bonito e com sol, nós vamos tá?
- Tá bom. - disseram os dois ao mesmo tempo, quase sorridentes.
E assim, dormimos.
No sábado, antes das 7 horas da manhã, estavam os dois aos pés da minha cama, despenteados e de pijama.
- Mamãe, o tempo tá bom?
O frio ainda permanecia no ar e o céu estava nublado, só não chovia. Não fomos ao Zoológico. E não houve cara feia, choro, escândalo ou gritaria, essas "coisas de criança". Eles ficaram ali, apertados, deitados comigo, na minha cama de solteiro, que nunca havia percebido o quanto era pequena.

Notaram que fiz com meus filhos? Eu poderia tratá-los como crianças, apenas crianças, que são assim mesmo. Poderia ter contato a eles uma história fantasiosa apenas para mostrar-lhes a possibilidade de passeio cancelado. Poderia ter mentido e, depois eles esqueceriam, exatamente porque são crianças e crianças são assim e pronto!
Eu preferi utilizar outro recurso e tratá-los como pequenos adultos. Numa relação, o diálogo não é a base para tudo? E é exatamente assim que lido com meu filhos. Diálogo. Diálogo e verdade. Desde que os conheci, coloquei em primeiro plano a verdade. Fiz uma promessa comigo mesma que jamais os trataria a base de qualquer mentira, por menor que ela fosse para eles. Tanto o Gabriel quanto a Rebecca enfrentarão grandes verdades daqui a alguns anos e o que desejo é que confiem em mim e me vejam não simplesmente como uma "mãe", mas, principalmente como uma verdadeira amiga. Como poderemos ter uma relação saudável, madura e de confiança se eu não começar agir assim desde o "nosso início"? 
E eu tenho esse cuidade diariamente, em todos os minutos do dia. Sim, Gabriel Yeshua e Rebecca Mariamne são crianças, mas eu posso aproximá-las ao meu mundo vagarosamente, impondo confiança. Confiança que só nos ajudará a crescer como pessoas; confiança que nos levará à compreensão, independente da situação.