quinta-feira, 25 de agosto de 2011

9 MESES - 36 SEMANAS - UMA GESTAÇÃO

Precisarei de 2 ou 3 capítulos para compor o primeiro dia em que tudo aconteceu; tudo que senti. 
Substituirei o nome de algumas pessoas por letras, para garantir a privacidade das mesmas.


"Era 17 de Dezembro. Aproximadamente às 9h30min o celular tocou. Não nego que fiquei ansiosa já que o primeiro pensamento que me veio à mente foi sobre proposta de trabalho. Atendi. Era do Fórum da Lapa, a assistente social. Imaginei que era para marcar uma nova audiência devido o processo de adoção. Mas não, era algo bem diferente:

- Olá, Elaine. Sou a Sra X, assistente social do Fórum da Lapa, tudo bem? O motivo do meu contato é para falar que há um casal de irmãos disponível para adoção e eu quero saber se você deseja conhecê-los.

De ansiosa, eu passei a desesperada. Hein? O quê? Adoção? Um casal? Como assim? 
Como fiquei muda a assistente social prosseguiu:

- Bom, vou te falar um pouco sobre as crianças. Seus nomes são W e Y. O W é um menino de 2 anos e 11 meses. A Y é uma menina de 18 meses. Eles são irmãos, dos mesmos pais.

- Nossa, assim tão rápido! - foi a única coisa que consegui dizer.

- Acabamos chegando em seu processo porque as pessoas que estavam antes na fila de espera acabaram conhecendo e optando por não ficarem com as crianças. A história de vida deles é um pouco diferente...

E então, a Sra X começou a contar a triste história das crianças... eu fiquei estática, ouvindo, imaginando e, inevitavelmente, ficando emocionada.

- A menina tem cicatrizes de um acidente. Ela foi vítima de um incêndio com apenas 20 dias de nascida. Os pais deixaram os dois irmãos, dormindo num barraco e também uma vela. Bem, resumindo, o barraco pegou fogo... o menino W, que tinha 1 ano e meio e já andava conseguiu esquivar-se do fogo, mas a menina Y foi atingida no lado direito do corpo, principalmente na face, na mão, inclusive acabou perdendo um dedinho. Também tem sequelas no couro cabeludo. A Y já passou por 5 cirurgias e não corre nenhum perigo de vida agora. Porém tem muitas cicatrizes e deformações. O tratamento dela está garantido pelo Hospital do Servidor Público. Ainda tem, em média umas 5 cirurgias plásticas para fazer, mas é um tratamento delicado e demorado. Ela ficou hospitalizada por 13 meses e devido ao acidente, agora e que está começando a andar e balbuciar sons. Ainda usa fraldas, não pode ficar exposta ao sol e é uma criança muito carente porque por ter ficado tanto tempo internada sem contato com ninguém, apenas com a junta médica e enfermeiras. Por causa do afastamento de 13 meses, os dois, W e Y, ainda não assimilam que sãos irmãos. Enquanto ela passou 13 meses no hospital, o menino W ficou no abrigo, sem contato com ela. Os casais que foram conhecê-los queriam ficar somente com o menino, mas, neste caso em especial, o juiz determinou que os dois não poderão ser separados. Então, Elaine, eu preciso saber se você quer conhecê-los sob essas condições. Ao mesmo tempo quero deixar claro que você pode conhecê-los, mas, em hipótese alguma é obrigada a ficar com eles. Caso haja algum tipo de rejeição por sua parte, é só nos dizer, não há problemas. Você voltará para a fila de espera. E eles serão encaminhados para adoção internacional, pois não há mais nenhuma pessoa no Cadastro Nacional de Adoção que se enquadre nas necessidades mínimas para a adoção. E na adoção internacional, os preconceitos e exigências praticamente não existem por parte dos adotantes. O número de adoção internacional de crianças com problemas mentais e físicos, negros e portadores de HIV são 5 vezes maior do que a adoção nacional. Então, Elaine eu preciso saber se você quer, a princípio, conhecê-los.
...
...
...
Minhas pernas tremiam, assim como o resto do meu corpo. Não sentia o chão. Não enxergava nada ao meu redor. Sei que houve um silêncio profundo e perturbador; provavelmente muito mais longo do que eu imagino hoje quando me lembro deste momento. Qual foi minha resposta? Puxa vida, juro que não sei. Juro que não lembro o que disse. Mas, com certeza, deve ter sido um sim ou algo que soasse positivo porque na sequência ouvi algo mais ou menos assim:

- Então vou emitir a permissão para que você possa entrar no abrigo e conhecê-los. Você pode vir buscar a permissão hoje? Porque eu também preciso entrar em contato com o abrigo para falar de você.

Bem, provavelmente minha resposta foi sim. Não me recordo. Só sei que quando voltei a ter os sentidos, o telefone estava mudo e ainda próximo ao meu ouvido. Atordoada, desci as escadas vagarosamente e fui ao encontro da minha mãe, aos prantos. Abracei-a o mais forte que pude e só me lembro de ter sussurrado:

- Mãe, meus filhos. Eles estão chegando...

Permanecemos por muitos minutos ali, na sala, talvez por horas, abraçadas e chorando muito. Nada conseguíamos falar, mas os corações ouviam tudo que se passava em nossas mentes.

O processo que deveria durar em média de 4 a 5 anos, de repente, havia diminuído para 9 meses, já que eu fora aprovada para a adoção no mês de Março e estávamos em Dezembro. 
Coincidência ou não, coisas do destino ou não, dedo de Deus ou não, eram aproximadamente 36 semanas, o período de uma gestação.

E foi então que, depois que consegui me acalmar e segui caminho ao Fórum para retirar o termo de permissão para entrada no abrigo, eu estava começando a compreender, mesmo inconscientemente que o melhor lugar para se gerar um filho é no coração!


Continua...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A HISTÓRIA DE UMA TAL ELAINE

Vou começar a contar, aos poucos, como foi o processo de adoção pelo qual passei. Não quero me apegar à uma sequência cronológica, mas sim aos fatos marcantes, sensações, dúvidas, medos e tantos outros sentimentos que senti. É o que verdadeiramente importa e que desejo compartilhar com vocês que tem lido minhas postagens neste blog.
Talvez eu não consiga descrever detalhadamente cada situação até porque quando tudo começou a acontecer, fiquei fora de mim, angustiada, surpresa e perdida como se, de repente, eu vivesse uma outra vida que não era minha (eu não estava pronta para tudo tão rápido), mas, quero que saibam que todos os fatos relatados são reais.
Bom, vamos lá... boa diversão!


"Era uma vez uma garota chamada Elaine, que, como todas as outras garotas tinha alguns sonhos. Porém, diferente de muitas garotas, ela não sonhava com fadas, príncipes encantados nem castelos; o sonho dela era bem diferente.

Conta a história que desde os 8 anos de idade, essa tal de Elaine, vivia falando para mãe dela que nunca a deixasse engravidar (como se ela fosse responsável por isso) porque nunca, jamais, ela queria ter um filho... ela queria cuidar de uma criança que não tivesse casa nem pai ou mãe nem roupas ou comida. Como era de se esperar, a mãe dessa tal Elaine, uma tal Dona Flor, ouvia a menina, sorria e esquecia! Oras, era coisa de criança!

E a Elaine foi crescendo. Sempre com muitas dificuldades. Nada era fácil para ela.

Quando a tal Elaine completou 13 anos começou a passar por problemas da idade: a não aceitação social. E isto fez dela uma garota muito introspectiva; tinha vergonha e medo de tudo e todos. Não demorou muito e ela foi diagnosticada com depressão. Foram feitos 5 anos de terapia até que descobriu-se que não eram distúrbios emocionais. E ela foi encaminhada para psiquiatria, onde começou um tratamento a base de calmantes e antidepressivos porque seu cérebro não produzia a quantidade mínima de serotonina.

Mas isso não fez com que a tal Elaine deixasse de lutar. Concluiu o Ensino Médio, que naquela época era o colegial. Mas aí o destino pregou outra peça: ela ficou observando à distância seus colegas de sala irem para faculdades e ela teve que ficar à distância, já que seus pais não tinham condições para pagar seus estudos universitários.

E ela foi à luta... entre um emprego e outro, finalmente conseguiu um que lhe pagava exatamente o valor da mensalidade em um universidade... e ela não hesitou: fez vestibular, passou e matriculou-se. E todos à sua volta diziam: "Vc é louca! Vc nunca via conseguir!"

Realmente ela foi louca... durante 4 anos ela não comprou roupas nem sapatos... tudo que ganhava era para pagar a faculdade. Longos 4 anos que pareceram 4 décadas. Mas ela conseguiu! No último ano da Faculdade conseguiu estágio em uma multinacional e a remuneração era um pouco mais que a mensalidade... aí, aos poucos, ela foi trocando as roupas velhas e surradas por terninhos e os tênis totalmente gastos por sapatinhos de salto. Ela conseguiu até fazer formatura!

Passado seis meses de estágio, logo ela foi efetivada e começou a ter um salário melhor, claro, não alto já que estava começando na área. Mas, desde então ela logo pensou: agora é a hora de começar uma poupança porque eu vou adotar 2 crianças. E preciso falar? Lá veio todo mundo novamente: "Você é louca! Nunca vai conseguir!" Mas ela fingia não ouvir e seguia o seu caminho.

E ela decidiu especializar-se para poder pleitear um cargo melhor com salário melhor... e encarou a pós graduação, que, era praticamente 85% do seu salário. E mais vozes: "Você é louca! Nunca vai conseguir!"...


E ela conseguiu. Especializou-se e conseguiu um novo cargo numa outra empresa, apesar de 100% nacional, muito maior do que a multinacional.

"Agora é hora de comprar meu terreno e começar a construir minha casa para receber meus filhos."

E assim foi: juntou dinheiro, comprou o terreno. Começou a comprar o material e a construir seu "Home Sweet Home".

"Então, a hora é essa! Como a adoção leva em média 4 anos para acontecer, vou dar entrada em todo o dossiê. Quando as crianças chegarem, minha casa já estará pronta!"

E mais vozes: "Você é louca! Nunca vai conseguir! Adotar 2 crianças e ainda por cima solteira??? Loucura! Se com um pai já é difícil, imagine sozinha!"

E, como se imaginava, ela não deu ouvidos. Procurou informações no Fórum, entregou todos os documentos solicitados, passou por entrevistas e reuniões com assistentes sociais e psicólogas até que em Março de 2009 recebeu aprovação.

E a vida, aquela caixinha de surpresas, deu um duro golpe na Elaine. Em Junho de 2009 ela foi demitida porque o seu departamento passou por reestruturações.

Apesar da tristeza, ela não baixou a cabeça. Claro, a dosagem dos medicamentos precisaram ser aumentadas, mas as coisas continuaram seu fluxo. Entrega CV aqui e acolá, faz entrevista e nada! 

Eis que, em Dezembro de 2009 (ainda desempregada) e exatamente 9 meses depois da aprovação da adoção, o Fórum ligou e disse que tinha um casal de irmãos para que ela os conhecesse e decidisse se queria ou não ficar com eles. Ainda na dúvida (ainda estava desempregada e a casa sem terminar) ela foi conhecê-los num dia 17 de Dezembro."

Continua...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

VALIDAÇÃO


Poder do Elogio e da Positividade




São quase 15 minutos de vídeo, mas vale a paciência.
Ao final você deve emocionar-se e apenas... S.O.R.R.I.R.


SEMANA DO FILHO


Eu queria que esse vídeo fosse apresentado a um único casal em todo mundo. 
Eu queria poder olhar nos olhos deles e dizer: 
"Vocês fizeram exatamente o mesmo com aqueles que deveriam defender. Conseguem, todos os dias, dormir tranquilos sem pensar nas marcas físicas e psicológicas que deixaram gravadas para o resto das vidas de 2 crianças?"


Mas antes de se ter um filho é preciso saber e querer ser PAI/MÃE. 

Pais e mães não fazem isso!

ALGUMAS CRIANÇAS QUERIAM QUE SEUS PAIS FOSSEM ANIMAIS


Eu poderia escrever mil palavras.
Da mesma maneira que fiquei com um nó na garganta assistindo esse vídeo, assim também não consegui organizar os pensamentos para escrever.

Hoje, meu silêncio diz tudo!


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

AOS MESTRES (VERDADEIROS) COM CARINHO


O que vou compartilhar aqui hoje talvez não seja nada tão fora do comum. Na verdade minhas postagens nunca foram e nem tem a pretensão de serem fora do comum. Neste pequeno diário eu compartilho experiências de uma mãe de primeira viagem, do dia para a noite. Nada espetacular... mas são momentos simples que sempre deixamos de lado... mas eu ainda acredito naquela velha filosofia de que importantes mesmo são os momentos mais simples!

Meu filhote Gabriel e eu escovávamos os dentes juntos, nos preparando para dormir (na verdade ele, porque eu ainda tinha e tenho muitas coisas a fazer). Inesperadamente ele cospe a espuma da boca na pia, desce da cadeira e abraça minhas pernas. Olhei para baixo e logo percebi que estava bem prestes a participar de um momento mágico para ele. Como eu sei? Oras, aquele sorriso ainda cheio de creme dental, aqueles olhinhos pequenos que brilhavam quase ao ponto de me cegar e aquela lágrima sutil de felicidade que se formavam no canto não poderiam expressar outra coisa a não ser um momento fantástico para ele!

- Obrigado, mamãe! Eu amo muito a minha escolinha!

Caros, convenhamos, aquele "obrigado" não foi para mim... sei que ainda está longe o dia 15 de Outubro, onde se comemora o dia do Professor, mas essa foi a prova de que devemos comemorar, agradecer ao profissional de educação todos os dias. Aqui, pelo menos por agora, quero esquecer aquele "professor" que deixa de cumprir esta tão nobre função que é educar. Quero pensar nos profissionais que fazem suas tarefas todos os dias, assim como minha irmã, porque amam e porque ainda acreditam no futuro, por mais obscuro que ele pareça. Quero agradecer cada profissional que está na área da Educação com sua dedicação, carinho e amor, por mais difícil que possa parecer.

Nós mães às vezes não nos damos conta do quanto é importante, marcante e significativo o período que nossos filhos passam na escola. E digo, com toda certeza do mundo, eu, que tive oportunidades de ter uma boa educação, cursar graduação e pós, não teria talento mínimo para educar meus filhos sozinha! É uma tarefa em conjunto! Fico triste por lembrar que os valores estão cada vez mais invertidos e que a cada dia mães e pais acham que é "obrigação" da escola e dos professores educarem seus filhos. E não falo do ensino privado ou público. Noto isso independente das classes sociais.

Então, este post fica como agradecimento e homenagem à professores, psicólogos, psicopedagogos, pedagogos, coordenadores de educação, administradores da educação, assistentes de sala, merendeiras, inspetores e mais uma porção de profissionais que estão ligados à educação. Claro, aos verdadeiros! Aos que não se corromperam!

Em especial às professoras e amigas do meu filho Gabriel Yeshua, "Pro Vera e Pro Ozana".

domingo, 21 de agosto de 2011

TRÂNSITO E VIDA


Hoje deixarei um vídeo aqui. Apenas um vídeo, mas que pode dizer muita coisa.




Trânsito e Vida


Só quero compartilhar com vocês porque o que é bom precisa proliferar na mesma rapidez e proporção que ervas daninhas.


Fiquem e estejam com Deus!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

FINAL DE NOITE


É tanta coisa se passando pela minha cabeça, que às vezes eu acabo por dar importância à coisas tão insignificantes que nem me dou conta. Ao menos tenho tido boas oportunidades de notar e admitir essa falta de tolerância e, na maioria das vezes, consertá-las.
Ontem foi um dia tenso em todos os sentidos - mas não vou me aprofundar nos meus tumultos cotidianos - e foi automático que eu repassasse certas emoções ao meus pequenos filhotes.
Praticamente passei o dia aos berros, sem paciência, exigindo deles posturas e atitudes tão ou mais adultas que as minhas. Parece que meu senso de realidade não enxergava que são crianças que não chegam nem aos 5 anos de idade.
E parece que quanto mais a gente briga, esbraveja, grita, mais as coisas ficam difíceis de serem controladas. Assim, ao chegar o fim da noite, eu estava cansada, apática, irritada e com uma grande angústia a corroer-me a alma.
Estão os dois de pijamas e dentes escovados.
Enquanto subimos as escadas, a Rebecca pede:
- Mamãe, conta uma historinha hoje?
Preciso falar que minha resposta foi não? Áquela altura eu só queria vê-los dormindo para poder descansar. Mas não me contive em dizer apenas não: expliquei o motivo.
- Hoje vocês não merecem! Desobedeceram muito a mamãe. Eu precisei pedir mil vezes pra vocês ficarem quietos. E vocês não me ouviam de jeito nenhum. Então hoje vão ficar sem historinha.
Pelo incrível que pareça, não houve lamentação. Ambos deitaram quietos. Cobri a pequena, dei um beijo e um abraço de boa noite. Antes que eu pudesse cobrir o Biel, ele senta e me olha:
- Desculpa, mamãe. A gente não vai mais fazer isso! É que o dia estava tão legal. Teve macarrão na escolinha que eu adoro muito. Depois a vovó chupou cana com a gente. Eu brinquei de bola com a Bebecca. A gente foi na casa da tia Cheche. Eu estava muito feliz e por isso não queria ficar quieto. Eu não queria que a noite chegasse. Desculpa por ter deixado você tão triste.
Toma, Elaine, outra bofetada! Ali, vendo aqueles olhinhos me pedindo perdão, eu enxerguei o quanto fui ignorante. E aqueles mesmos olhinhos me pediam paciência, porque são crianças. Meu Deus, meu filho curtindo o dia, sentindo felicidade e o que foi que eu fiz? Gritei, gritei, gritei. E por quê? Porque ele não parava de pular ou porque enrolou um pouco mais para tomar banho... porque esperou que eu repetisse 3 vezes que era para abandonar o quintal e entrar ou porque estava comendo devagar porque gargalhava com a irmãzinha na mesa.
Ai, que vontade de bater com a cabeça na parede. A bofetada imaginária que eu levava doía nas duas faces. E eu só consegui permanecer em silêncio, com vergonha da minha estupidez.
Abracei-o e apaguei as luzes.
Entrei no meu quarto e uma lágrima grossa e quente ardeu em meu rosto.
Ah, não perdi a oportunidade... corri na estante, peguei um livro e corri falando alto:
- A história de hoje é da "Galinha Sem Ovo Na Boca do Povo"...
Sei que não consertei tamanho estrago, mas, ao menos, tentei remendar.

domingo, 14 de agosto de 2011

PAI?


O dia que se comemora hoje sempre foi uma das datas mais amargas para mim.
Durante uns 2 ou 3 anos eu tentei mudar. Em conjunto com minha irmã, comprei presente, entreguei, fingindo que havia esquecido tantas cenas ruins que estavam na minha memória, colocando um sorriso frio e amarelo na face e mentindo pro meu coração que as chagas já estavam fechadas e cicatrizadas. Mas de nada adiantou... assim como nunca consegui dizer "Feliz Dia dos Pais" também nunca ouvi um "Obrigado, filha".

E para deixar o meu dia mais amargo e intolerável presenciei uma cena que realmente me machucou muito mais que deveria. Sei o quanto fui egoísta naquele momento, mas não vou negar que ao ver meu pai brincando de esconde-esconde com meus filhos hoje, entre gargalhadas, abraços e beijos, eu rebobinei automaticamente um vídeo de recordações. O incrível é que não consegui encontrar nenhuma imagem que fosse, ao menos, parecida.  O que me veio à memória foi um momento de agonia, que eu corria atrás de um homem que na verdade eu nem conhecia (porque não parecia meu pai nem tinha comportamento de pai), pedindo e chorando para ele não jogar a tv de 12" no meio do quintal porque eu gostava de assistir o "Balão Mágico".

Já admiti que fui egoísta. Sorte dos meus filhos por terem um momento tão gostoso e divertido. Sorte a do meu pai que finalmente está podendo ser pai com netos. E azar o meu que não tenho como resgatar esse momento. Mas fechei os olhos e, chorando, muito magoada falei com Deus: "Obrigada, Senhor, por esse momento na vida do Gabriel e da Rebecca. Obrigada por eu estar conseguindo dar a eles tudo que não tive e que talvez eles nunca teriam. Só eu sei o quanto isto é importante para a formação psicológica deles."

Existem lacunas, espaços vazios, campos em branco na história da minha vida... e o maior espaço está exatamente no período de infância. Não me lembro de uma presença masculina ou um símbolo de "pai". Acabo de revelar aqui o porquê da minha decisão em ser mãe solteira... para mim só importa mesmo mãe. E eu quero ser exatamente aquilo que minha memória gravou: uma mãe-pai.

Segue agora um texto muito antigo que escrevi... mas eu ainda não mudo uma palavra...

Eu sou seu espelho
Eu sou a semente que você plantou
E se esqueceu de regar.

Você me transformou
Não permitiu que eu evoluísse
Me trancou dentro de mim
E mesmo assim todo o problema é meu.

Me fez acreditar que todos eram como você
E eu me choco ao encontrar emoções
A minha e a sua frieza me machucam
E eu não queria tê-la.

Cada vez mais eu desço
E tento encontrar uma parte minha
Porém tudo que encontro é seu
Eu já não tenho mais forças
Para sair do meu corpo
Meus olhos, minha boca,
Minhas mãos, meu coração
Estão trancados
E você destruiu as chaves.

Sou ainda tão jovem
E já tão cansada da vida
Porque eu me perdi
Eu perdi minha vida para você.

Você não deixou que eu experimentasse
Me afastou, me prendeu
Me matou e não percebeu.

Não quero o fruto do seu trabalho
Não falo de dores físicas
Mas o que é um relacionamento sem relacionamento?
Você me fez adulta antes do tempo
                                 
E eu perdi minha pureza
Agora só tenho o medo de sentir medo
E uma pessoa dentro de mim
Que não conheço.

25/11/97
13h22min

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

DOAÇÕES PARA O ABRIGO CASA LUZ



É mãe ou pai? Tem filhos de 0 a 7 anos?
Por que não aproveita o fim de semana para separar aquelas roupinhas que seus filhos não usam mais e você não sabe o que fazer?
Cooordeno uma "campanha", sem datas especiais, ou seja, essa campanha perdura o ano todo, para arrecadar roupas, calçados e brinquedos para doar ao Abrigo Casa Luz, onde conheci meu anjo Gabriel e minha jóia Rebecca.

NÃO É O ABRIGO QUE PEDE; FAÇO A CAMPANHA ESPONTANEAMENTE.

O Abrigo Casa Luz vive de doações e cuidam de crianças de 0 a 7 anos que foram retiradas dos pais por abusos, maus tratos ou violência doméstica e, motivos de segurança, não pode divulgar endereço e telefones, já que as crianças que estão lá foram retiradas dos pais e não abandonadas, logo temem que os pais queiram ira ao abrigo para resgatá-los.

Mas se você quiser conhecer ou ter informações, é só me comunicar, que eu os levo lá pessoalmente! Obrigada!

Caso queira participar desta "campanha", entre em contato que eu mesma recolho as doações. O contato pode ser feito e-mail: mae.adotiva@hotmail.com.

Aproveite para ler um texto do meu blog, que falo sobre a experiência de conhecer um abrigo!

http://diariodeumamaelegal.blogspot.com/2011/07/um-porto-uma-baia-uma-enseada.htm

terça-feira, 9 de agosto de 2011

DIA DOS PAIS E A FORÇA DA PROPAGANDA!



O que vou postar hoje aqui é super recente! Aconteceu ontem a noite... dessa vez, coisas do meu Biel...

Tá chegando o Dia dos Pais. Não pense você que estou preocupada porque tenho que sentar e "inventar" uma historinha qualquer para o Gabriel (não envolve a Rebecca que é menor e nem liga para o fato) falando sobre pai. 

Não, não enganei, não engano e jamais me prestarei a esse papel com meus filhos. Por mais dura que seja a realidade, é dentro dela que eles irão crescer. E o Gabriel já tem consciência que ele não tem pai. Não tem pai e ponto. Não tem pai e pronto! Pai é pai. Avô é avô. Desculpem-me aqueles saudosistas que vivem dizendo que "Avô é pai duas vezes" ou que "o avô representa o pai". Discordo em número, grau e gênero. Cada um dentro da família tem que assumir e desenvolver seu papel. E meu pai não é pai do Gabriel nem da Rebecca. Ele é meu pai. Ele é avô do Gabriel e da Rebecca.

Agora é diferente o meu discurso. Meu pai é avô do Gabriel e ponto. Meu pai não é pai do Gabriel e pronto! Meu pai é um homem, aquele que representa a figura masculina para o Gabriel, assim como meu sobrinho e meu cunhado, mas cada um no seu quadrado.

Já ensinei ao Biel que o pai dele é Papai do Céu. E que o vovô é um homem que vai ajudá-lo a se desenvolver e crescer como um homem. O vovô será um espelho no qual você irá se apoiar. Mas, não adianta, você não tem pai aqui. Você tem o melhor pai do mundo que é Papai do Céu.

Veja meu diálogo com ele:
- Não esqueça, se te perguntarem quem é o seu pai o que você responde?
- Que meu pai é Papai do Céu.
- E se perguntarem do seu avô...
- Ué, ele é o vovô, não é pai!
- E se perguntarem porque você não tem pai?
- Eu falo que minha mãe não é casada nem tem namorado. E se ela casar com um homem ele não será meu pai. Ele será meu amigo e "paidrasto".
-E se perguntarem como você nasceu sem pai?

- Ai, mãe... - a conversa já estava ficando chata para ele. - Eu falo que eu tenho um pai, mas o pai que eu conheço é Papai do Céu.

- E o que você vai fazer no Dia dos Pais se você não tem pai?
- Uuuuuuh, eu vou abraçar e beijar o vovô porque ele também é pai, mas é seu. E no Dia das Mães eu abracei e beijei você e a vovó porque a vovó também é mãe, mas é sua.
- Uau! Você aprendeu! Venha cá e me dê um abraço. - eu toda orgulhosa.

Depois do abraço misturado com um beijo ele ficou pensativo e falou:
- Mas eu queria dar um presente pro vovô no Dia dos Pais.
- E o que você quer dar?

Gente, ouvi uma resposta mais que inesperada. Ouvi o pedido, fiquei estática. Senti vontade de rir, e muito, mas me contive. Automaticamente meu sangue de marketeira ferveu em minhas veias e eu notei o poder da propaganda e do marketing. Eu, como profissional, sempre considerei a propagando do produto que o Biel pediu a mais grotesca, mal produzida... resumindo péssima! Sem contar que há anos é a mesma. Notem: não estou avaliando o produto, estou falando da propaganda!

Propagando feia, trash, horrível, barata, chega a ser ridícula, mas não é que a empresa conseguiu alcançar um público? Porque eu, marketeira que sou, tenho certeza que isso não se passou apenas pela cabeça do meu filho, que é de classe C ou D. Muitas crianças devem ter pensado o mesmo que meu filho.


Acreditem se quiser, mas meu filho quer presentear o avô, por ser pai e não por ser pai dele com um refrigerante Dolly.


  E agora você, sendo profissional da área ou não, me responda:
Mesmo que a gente considere o produto ruim ou de qualidade média, a empresa conseguiu ou não conseguiu ser uma marca muito lembrada?
Meu filho poderia ter pedido uma Coca-Cola, uma Sukita, uma Fanta, uma Pepsi, uma Sprite ou qualquer outro produto renomado.
Mas não, quem entrou na cabecinha dele foi a Dolly.
E eu te pergunto, por quê?

Se você tem uma opinião do motivo pelo qual meu filho escolheu Dolly, deixe no comentário.

Eu tenho um ponto de vista, mas adoraria ler o seu!

Abraços 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

SACOLA PARA MÃO


 Eu, que sou cabeleireira particular da minha mãe, mas só para pinturas, tive um momento de estresse que ao mesmo tempo me levou a um momento seguido de boas gargalhadas.

Como vocês já sabem, tenho uma filha de 03 anos, a Rebecca ou Becca ou Bebecca. E ela é muito, mas muito sapeca e curiosa! Quer aprender tudo e ao mesmo tempo! Não se contenta em ver, precisa pegar, tocar, sentir... e, é claro, não foi diferente com o "kit tintura". Pegou os pincéis e a tigela, colocou na boca, lambeu... só não fez o mesmo com a água oxigenada e o tubo de tinta porque, óbvio, estavam sobre a geladeira.

Minha mãe já estava pronta e à minha espera, sentada e com aquela expressão de impaciência. Então, decidi acelerar o processo.

Primeiro passo: colocar as luvas de polietileno descartável, ou seja, as luvinhas de plástico. E procuro e procuro e procuro.... tolice a minha, só poderia estar com a Rebecca, lógico! E começa o corre-corre pela casa...

- Rebecca, me dá isso aqui!
- E as palavrinhas mágicas? - esse é o mal de sempre ensinar o certo... quando a gente dá uma gafe, leva uma bela bofetada
- Tá bom, Rebecca, me devolva a luva, por favor!!!
Ela parou, olhou para as mãos. Calmamente começou a retirá-las e me respondeu, com ar muito arrogante:



"- Oras, mamãe. Isso não é "liuva"*. Isso é sacola para mão!"

Diante da declaração, não me restou parar, olhar para minha mãe e soltar um gargalhada alta e gostosa!

O argumento dela era incontestável, afinal de contas o material é idêntico ao de sacolinhas de supermercado, mas aquelas sacolas eram para as mãos.

Crianças. Que maravilhas tê-las em nossa companhia!
Crianças. Uma pena que cresçam...







* Liuva: apesar dos 3 anos, algumas palavras ainda são mal pronunciadas, como é o caso de "luva", que se torna "liuva".
  

domingo, 7 de agosto de 2011

MÃES INTELIGENTES CRIAM FILHOS, FELIZES

Li o texto e logo me identifiquei. Tenho certeza que você que também é mãe, sentirá o mesmo que eu! 
Eu, fã que sou do Tejon, não apenas pela sua Cabeça de Líder (tive a honra de conhecê-lo quando trabalhava no Grupo O Estado de São Paulo) não posso deixar de compartilhar que ele será um enorme exemplo de vitória, superação e sabedoria para minha filha Rebecca! Se ela conseguir ser ao menos ¼ do que é o Tejon, terei a plena certeza de que eu consegui ser uma mãe inteligente e FELIZ!


O berço de toda liderança está na infância. O ser humano é um projeto que não vem pronto. É verdade que trazemos uma carga e um potencial genético, porém o entorno, a comunidade, os valores, o ambiente de maior aprimoramento evolutivo permitem transformações e ganhos no tempo de uma vida útil. Os estudiosos todos, com os quais me aconselho nessa dificil arte de liderar e de criar líderes, são unânimes : ” líderes são criados desde o berço “. Uns dias atrás fui dar uma palestra na AACD – Asssociação dos Amigos das Crianças Deficientes.  Claro que aproveitei para levar minha filha Luciana, de 13 anos de idade. La chegando, desde a portaria, indo pelos corrredores dessa nobre instituição, uma observação refletiu o realismo da vida: muito mais mulheres, mães, cuidando e levando suas crianças e parentes ao AACD, do que homens. Ou seja, parece que pais abandonam, e mães ficam ao lado desses seres especiais. Mas, o que mais me trouxe um premio espetacular por ter usado meu tempo e ir à AACD, foi na saida. Um carro da prefeitura que transporta pessoas deficientes abriu a porta. De um lado saiu uma mãe sorridente, alegre,  com altivez no espírito. Deu a volta no carro e começou a tirar a sua criança la de dentro. Brincava com ela, sorria. Parecia que ambas, mãe e filha estavam adentrando os estúdios da Disney, ou correndo para saborear o sorvete mais gostoso do mundo….. passaram por mim transmitindo tanta esperança , alegria e felicidade que essa energia me transpassou e permiti que se aninhasse dentro de minha alma como um dos códigos mais preciosos na criação de líderes sustentáveis no planeta terra. O que forma líderes, desde a tenra idade dos berços, a grande inteligência – é a felicidade. Para termos pessoas felizes, elas precisam ser criadas por seres humanos felizes. A desgraça que um criador infeliz faz sobre suas crias significa, como regra, num resultado transfigurado para o mal, ainda que muitos transmutem esse sofrimento íntimo em busca de patrimônio, poder, fama, riqueza, status etc. O filme Cidadão Kane de Orson Wells, continua sendo um marco histórico para mim. Se voce ainda não o viu, alugue, vale cada instante. Nele voce vai descobrir o ” milagre de Rosebud “. Mães inteligentes criam filhos, ( vírgula ), felizes.


[José Luiz Tejon Megido]


José Luiz Tejon é publicitário, jornalista, autor e co-autor de 27 livros, como "O vôo do cisne", "A grande virada - 50 regras de ouro para dar a volta por cima" e "Luxo for all". É presidente da TCA Internacional, com parcerias na Europa, Estados Unidos, China e Israel.